ESTÂNCIA IV

As Hierarquias Setenárias

1. ...Escutai, ó Filhos da Terra.

Escutai os vossos Instrutores, os

Filhos do Fogo (a). Sabei: não há nem primeiro nem último; porque tudo é Um

Número que procede do Não-Número (b).

Dos átomos.

O Universo.

A Luz Primordial.

Diz-se assim porque a chama de um fogo em si mesma é inesgotável, podendo-se acender as luzes do Universo inteiro com uma simples vela sem lhe diminuir a chama.

(a) As expressões "Filhos do Fogo", "Filhos da Névoa de Fogo" e outras

análogas exigem um esclarecimento.

Elas se relacionam com um grande mistério

primitivo e universal, que não é fácil explicar.

Há uma passagem do Bhagavad-Gîtâ,

em que Krishna, falando simbólica e esotericamente, diz:

"Eu indicarei os tempos [condições]... em que os

devotos, ao partirem [desta vida], o fazem para não voltar

jamais a [renascer], ou para voltar a [encarnar-se de novo]... O

fogo, a chama, o dia, a lua crescente, [a quinzena feliz], os seis

meses do solstício do Norte, partindo [morrendo]... neles, os

que conhecem a Brahman [os Yogis], vão a Brahman.

O fumo,

a noite, a lua minguante [a quinzena nefasta], os seis meses do

solstício do Sul [morrendo]... nestes, o devoto vai à esfera lunar

[também a Luz Astral], e volta [renasce]. Esses dois caminhos,

um iluminado e outro sombrio, consideram-se eternos neste

mundo [ou Grande Kalpa — idade]. Por um deles [o homem]

vai para nunca mais voltar; pelo outro, retorna254."

Os termos "fogo", "chama", "dia", "lua crescente (quinzena iluminada ou

feliz)" etc.; e "fumo", "noite" e outros, que conduzem tão somente à senda Lunar, são

ininteligíveis sem o conhecimento do Esoterismo.

Todos eles são nomes de várias

divindades que presidem aos Poderes Cosmo-psíquicos.

Falamos amiúde da

Hierarquia das "Chamas", dos "Filhos do Fogo" etc.

Shankarâchârya, o mais sábio

dos Mestres Esotéricos da índia, diz que o Fogo significa uma divindade que preside

Tradução de Telang, Sacred Books of the East; cap.

VIII, pág.80.

ao Tempo (Kâla). O ilustre tradutor do Bhagavad Gitã, Kashirâth Trimbak Telang, M.

A., de Bombaim, confessa que "não tem nenhuma idéia clara sobre o significado

destes versículos255". Ao contrário, para os que conhecem a doutrina oculta, eles

são de absoluta clareza.

Os versículos encerram o sentido místico dos símbolos

solares e lunares.

Os Pitris são Divindades Lunares e nossos antepassados, porque

eles criaram o homem físico.

Os Agnishvattas, os Kumâras (os sete sábios místicos),

são Divindades Solares, apesar de serem também Pitris; e são os "Formadores do

Homem Interno". Chamam-se "Filhos do Fogo" porque foram os primeiros Seres

(aos quais a Doutrina Secreta dá o nome de "Mentes") evolucionados do Fogo

Primordial.

"O Senhor é um Fogo que consome256". "O Senhor aparecerá... com os

seus anjos poderosos, como uma labareda de Fogo257". O Espírito Santo desceu

sobre os Apóstolos sob a forma de "línguas de fogo258". Vishnu voltará sobre Kalti, o

Cavalo Branco, como último Avatar, no meio de fogo e de chamas; e Sosiosh

descerá também montado em um Cavalo Branco, num "torvelinho de fogo". "E vi o

céu aberto, e eis que surge um Cavalo Branco, no qual estava montado.. . e o seu

nome chama-se o Verbo de Deus259", isso no meio de um fogo ardente.

O fogo é o

Æther em sua forma mais pura e por isso não é considerado como matéria; é a

unidade do    Æther — a segunda divindade manifestada — em sua universalidade.

Mas há dois "Fogos", e os ensinamentos ocultos fazem uma distinção entre eles.

Do

primeiro, ou Fogo puramente sem forma e invisível, oculto no Sol Central Espiritual,

diz-se que é Tríplice (metafisicamente); ao passo que o Fogo do Cosmos

manifestado é Setenário em nosso sistema solar e em todo o Universo.

"O fogo do     Op. cit., p. 81.     Deuteronômio IV, 24.     Aos Tessalonicenses, I, 7-8.     Atos, II, 3.     Apocalipse, XIX, 11-13.

conhecimento consome toda ação no plano da Ilusão" — diz o Comentário.

"Portanto, os que o conquistaram, e estão emancipados, são chamados Fogos".

Falando dos sete sentidos, simbolizados como Hotris ou Sacerdotes, diz Nârada no

Anugîtâ: "Assim, estes sete (sentidos: olfato, gosto, cor, som etc.) são as causas da

emancipação"; e o tradutor acrescenta: "É destes sete que o Eu interno deve

emancipar-se. 'Eu' (na frase 'Eu sou... desprovido de qualidades') deve significar o

Eu interno, e não o Brâhmana que fala260."

(b) A expressão "Tudo é Um Número que procede do Não-Número"

refere-se ainda àquele princípio universal e filosófico que explicamos no Comentário

à 4ª Sloka da Estância III.

O absoluto carece, naturalmente, de Número; mas o

princípio recebe uma significação ulterior quando aplicado no Espaço e no Tempo.

Quer dizer que não somente cada incremento de tempo é parte de outro maior, até a

duração mais prolongada que a inteligência humana possa conceber, mas também

que se não pode considerar uma coisa manifestada senão como parte de um todo;

sendo a agregação total o Universo Uno Manifestado, que procede do Não-

Manifestado ou Absoluto chamado Não-Ser ou "Não-Número", para distinguir-se do

Ser ou "Número Único".

2. Aprendei o que nós, que descendemos dos Sete Primordiais, nós,

que nascemos da Chama Primordial, temos aprendido de nossos Pais...

A explicação do texto acima será dada no Livro II. A expressão "Chama

Primordial" confirma o que ficou dito no primeiro parágrafo do precedente

Comentário da Estância IV.

Tradução de Telang, Sacred Books of the East, VIII, 278.

A diferença entre os Construtores "Primordiais" e os Sete subseqüentes

consiste em que aqueles são o Raio e a Emanação direta do primeiro "Quatro

Sagrado", a Tetraktys, ou seja, o Eternamente Existente por Si mesmo — eterno em

essência, note-se bem, não em manifestação — e distinto do Uno Universal.

Latentes durante o Pralaya e ativos durante o Manvantara, os "Primordiais"

procedem do "Pai-Mãe" (Espírito-Hylé ou Ilus); ao passo que o Quaternário

Manifestado e os Sete procedem unicamente da "Mãe". Esta última é a Virgem Mãe

Imaculada, que é encoberta, e não fecundada, pelo Mistério Universal, quando ela

surge do seu estado de Laya ou condição não diferenciada.

É claro que, na

realidade, todos são um; mas os seus aspectos, nos diferentes planos do Ser, são

vários.

Os "Primordiais" são os Seres mais elevados da Escala da Existência.

São os Arcanjos do Cristianismo, os que se recusaram a criar, ou melhor, a

reproduzir-se, como o fez Miguel nesse sistema religioso, e como o fizeram os

"Filhos Maiores nascidos da Mente" de Brahmâ (Vedas).

3. Do Resplendor da Luz — o Raio das Trevas Eternas — surgem no

Espaço as Energias despertadas de novo261; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco (a).

Depois o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total (b). E

estas são as Essências, as Chamas, os Construtores, os Números (c), os

Arûpa262, os Rûpa263 e a Força ou o Homem Divino, a Soma Total.

E do Homem

Divino emanaram as Formas, as Centelhas, os Animais Sagrados (d) e os

Mensageiros dos Sagrados Pais264 dentro do Santo Quatro265.

Os Dhyân Chohans.

Sem forma.

Com corpos.

Os Pitris.

(a) A primeira frase entende com a Ciência Sagrada dos Números; ciência

realmente tão sagrada e tão importante que dificilmente se pode dar uma idéia do

assunto, mesmo em uma obra extensa como a presente.

Sobre as Hierarquias e os

números exatos daqueles seres, invisíveis para nós (exceto em raríssimas

ocasiões), repousa o mistério da estrutura do Universo inteiro.

Os Kumâras, por

exemplo, são chamados os "Quatro", embora em verdade sejam sete; isso porque

Sanaka, Sananda, Sanâtana e Sanatkumâra são os principais Vaidhâtra (é o seu

nome patronímico) que surgiram do "quádruplo mistério".

Para maior clareza, vamos socorrer-nos de dados mais familiares aos

leitores, os dados bramânicos.

Segundo Manu, Hiranyagarbha é Brahmâ, o primeiro ente masculino

formado pela incompreensível Causa sem Efeito, em um "Ovo de Ouro

resplandecente como o Sol", como diz o Hindu Classical Dictionary; Hiranyagarbha

significa a Matriz de Ouro, ou melhor, a Matriz resplandecente ou Ovo.

Esta

significação não se harmoniza bem com o epíteto de "masculino", mas o sentido

esotérico da frase é suficientemente claro.

Está escrito no Rig Veda: "aquilo, o

Senhor único de todos os seres... o princípio que anima os deuses e os homens",

teve sua origem na Matriz de Ouro, Hiranyagarbha, que é o Ovo do Mundo, a Esfera

de nosso Universo.

Aquele Ser é seguramente andrógino, e a alegoria de Brahmâ

separando-se em dois e recriando-se como Virâj em uma de suas metades (a fêmea

Vâch) é a prova disso.

O Quatro, que é representado na numeração oculta pela Tetraktys, o Quadrado Sagrado ou Perfeito, é um Número Sagrado entre os místicos de todas as nações e raças.

Tem a mesma significação no Bramanismo, no Budismo, na Cabala e nos sistemas numéricos egípcio, caldeu e outros.

"O Um do Ovo, o Seis e o Cinco" dão o número 1065, o valor do

Primogênito (depois o Brahmâ-Prajâpati, macho e fêmea), que corresponde aos

números 7, 14 e 21, respectivamente.

Os Prajâpati, tal como os Sephiroth, são

unicamente sete, incluindo a Sephira, que sintetiza a Tríade de onde eles

promanam.

Assim, de Hiranyagarbha ou Prajâpati, o Trino e Uno (a Trimurti Védica

primitiva, Agni, Vâyu e Sûrya) emanam os outros sete, ou ainda dez, se separarmos

os três primeiros, que são três em um e um em três; todos, aliás, compreendidos

dentro daquele Um e "Supremo", Parama, chamado Guhya ou "Arcano" e

Sarvâtman, a Super-Alma.

"Os sete Senhores do Ser permanecem ocultos em

Sarvâtman como os pensamentos no cérebro." O mesmo sucede com os Sephiroth.

São sete quando se contam da Tríade superior presidida por Kether, ou dez

exotericamente.

No Mahabhârâta, os Prajâpati são em número de 21, ou dez, seis e

cinco (1065), três vezes 7266.

(b) "O Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco", ou duas vezes sete no total,

representam 31415, a Hierarquia numérica dos Dhyân Chohans de diversas ordens,

e do mundo interior ou circunscrito267. Esse número, colocado na fronteira do grande

Círculo "Não Pássaras" (chamado também Dhyânipâsha, a "Corda dos Anjos", a

"Corda" que separa o Cosmos fenomenal do numênico, e que não se acha dentro do

limite de percepção de nossa consciência objetiva atual), esse número, quando não

ampliado por permutação ou expansão, é sempre 31415, anagramática e

Na Cabala, os mesmos números, isto é, 1065, representam um valor de Jehovah, pois os valores numéricos das letras que compõem este nome — Jod, Vau e He duas vezes — são respectivamente 10 ( ), 6 ( ) e 5 ( ); ou, ainda, três vezes sete, 21. "Dez é a Mãe da Alma, porque a Vida e a Luz estão nele unidas" — diz Hermes.

"Porque o número um nasceu do Espírito, e o número dez da matéria (o Caos feminino); a unidade fez o dez, e o dez a unidade" (Book of the Keys). Por meio da Ternura, o método anagramático da Cabala, e do conhecimento de 1065 (21), pode-se obter uma ciência universal com relação ao Cosmos e seus mistérios (Rabbi Yogel), Os rabinos consideram 10, 6 e 5 como os mais sagrados de todos os números.

Devemos dizer ao leitor que um cabalista americano descobriu agora o mesmo número para os Elohim.

Os Judeus o receberam da Caldéia.

Veja-se "Metrologia Hebraica" na Masònic Review, julho de 1885, McMillan Lodge, n.° 141.

cabalisticamente; sendo ao mesmo tempo o número do círculo e o da mística

Suástica, outra vez o "Duplo Sete" — pois, seja qual for o sentido em que se contem

as duas combinações de algarismos, adicionando-se um após outro, a partir da

direita ou da esquerda, o total é sempre quatorze.

Matematicamente, representam a

fórmula bem conhecida de que a razão do diâmetro para a circunferência do círculo

é igual à de 1 para 3,1415, ou seja, o valor de π (pi), como se chama.

Essa

disposição dos algarismos deve ter o mesmo significado, uma vez que 1:3,14159 e

também 1:3,1415927 são fórmulas empregadas nos cálculos secretos para exprimir

os vários ciclos e idades do "Primogênito", ou 311.040.000.000.000 com frações, e

dão o mesmo resultado 13.415 por um processo que não nos cabe expor agora.

Convém notar que o Sr. Ralston Skinner, autor de The Source of Measures, lê a

palavra hebraica Alhim com os mesmos valores numéricos, 13514, omitindo os

zeros, conforme já dissemos, e usando a permutação, pois que        (a) é 1;   (l) é

(30);   (h) é 5;    (i) é 1 (10); e   (m) é 4 (40); donde, anagramaticamente, 31415,

como ele explica.

Assim, enquanto no mundo metafísico o Círculo com o Ponto Central

carece de número, sendo chamado Anupâdaka (sem pai e sem número), porque

transcende todo cálculo; no mundo manifestado, o Ovo ou Círculo do Mundo acha-

se circunscrito dentro dos grupos que se chamam a Linha, o Triângulo, o Pentágono,

a Segunda Linha e o Quadrado (ou 13514); e quando o Ponto gerou uma Linha,

convertendo-se em um diâmetro, que representa o Logos andrógino, então os

algarismos ficam sendo 31415, ou seja, um triângulo, uma linha, um quadrado, outra

linha e um pentágono.

"Quando o Filho se separa da Mãe, torna-se o Pai",

representando o diâmetro a Natureza, ou o princípio feminino.

Assim, está escrito:

"No Mundo do Ser, o Ponto faz a Linha frutificar — a Matriz Virgem do Cosmos (o

zero em forma de ovo) — e a Mãe imaculada dá nascimento à forma que combina

todas as formas." Prajâpati é chamado o primeiro varão procriador e "o marido de

sua Mãe268". Temos aqui a chave para todos os "Divinos Filhos" de "Mães

Imaculadas" que surgiram posteriormente; e a idéia está claramente confirmada pelo

fato significativo de que Ana, o nome da Mãe da Virgem Maria — que dela teria

nascido de forma imaculada, segundo o dogma atual da Igreja Católica Romana

("Maria concebida sem pecado") — tem sua origem na Ana caldéia, palavra que

significa Céu, ou Luz Astral, Anima Mundi, de onde provém Anaítia, Devi-Durgâ, a

esposa de Shiva, que é também chamada Annapurna e Kanyâ, a Virgem, e cujo

nome esotérico, Umâ-Kanyâ, quer dizer a "Virgem de Luz", a Luz Astral em um de

seus múltiplos aspectos.

(c) Os Devas, Pitris, Rishis; os Suras e os Asuras; os Daityas e os

Adityas; os Danavas e os Gandharvas etc., etc., todos têm seus sinônimos em nossa

Doutrina Secreta, como também na Cabala e na Angelologia dos Hebreus; mas é

inútil dar os nomes antigos, porque redundaria apenas em confusão.

Muitos desses

nomes podem encontrar-se ainda agora até mesmo na Hierarquia cristã das

Potências celestiais e divinas.

Todos aqueles Tronos e Dominações, Virtudes e

Principados, Querubins, Serafins e Demônios, habitantes diversos do Mundo Sideral,

são as modernas cópias de protótipos arcaicos.

O simbolismo idêntico dos seus

nomes, ainda que desfigurados na transposição e adaptação para o grego e o latim,

é suficiente para comprová-lo, conforme iremos mostrar em mais de uma

oportunidade.

Deparamos idêntica expressão no Egito.

Mout significa, em certo sentido, "Mãe", e denota o caráter que lhe era assinado na Tríade daquele país.

Era ao mesmo tempo a mãe e a esposa de Ammon, sendo um dos principais títulos do Deus o de "marido de sua mãe". A deusa Mout, ou Mut, era invocada como "Nossa Senhora", a "Rainha dos Céus e da Terra", assim partilhando estes títulos com as outras deusas-mãe; Ísis, Hathor, etc.

(Maspero).

(d) Os "Animais Sagrados" figuram na Bíblia, como também na Cabala, e

têm sua significação, decerto muito profunda, na página que se refere às origens da

Vida.

No Sepher Yetzirah, lê-se que: "Deus gravou sobre o Quatro Sagrado o Trono

de sua Glória, os Auphanim (as Rodas ou Esferas-Mundos), os Serafins e os

Animais Sagrados, como Anjos, Ministros, e destes (o Ar, a Água e o Fogo ou Éter)

fez a sua habitação".

Eis aqui a tradução literal das Seções IX e X:

"Dez números sem o quê? Um: O Espírito do Deus

vivo... que vive nas eternidades! A Voz, o Espírito e o Verbo; e

este é o Espírito Santo... Dois: o Ar que saiu do Espírito... Ele

desenhou    e   esculpiu   com    isso   vinte   e   duas   letras

fundamentais, três mães, sete duplas e doze simples — e um

Espírito que saiu delas.

Três: a Água saída do Espírito.

Ele

desenhou e esculpiu com elas o estéril e o vazio, o lodo e a

terra.

Ele as desenhou como um canteiro de flores, esculpiu-as

como um muro, e cobriu-as como um pavimento.

Quatro: O

Fogo saído da Água.

Ele com isso desenhou e esculpiu o trono

de glória, e as rodas, e os serafins, e os animais sagrados

como anjos ministros; e dos três fez a sua habitação, como

está dito.

Ele faz de seus anjos espíritos, e de seus servidores

chamas ardentes!"

As palavras "fez a sua habitação" mostram claramente que na Cabala,

como nas Índias, o Universo era considerado a Divindade, e que esta, em sua

origem, não era o Deus extracósmico de hoje.

Assim foi o mundo formado "por três Serafins: Sepher, Saphar e Sipur",

ou "pelo Número, os Números e o Numerado". Com a chave astronômica, estes

"Animais Sagrados" se convertem nos signos do Zodíaco.

4. Este foi o Exército da Voz, a Divina Mãe dos Sete.

As Centelhas

dos Sete são os súditos e os servidores do Primeiro, do Segundo, do Terceiro,

do Quarto, do Quinto, do Sexto e do Sétimo dos Sete (a). Estas Centelhas são

chamadas Esferas, Triângulos, Cubos, Linhas e Moderadores; porque deste

modo se conserva o Eterno Nidâna — o Oi-Ha-Hou (b)269.

(a) Este Sloka dá novamente uma breve análise das hierarquias dos

Dhyân Chohans — chamados Devas (Deuses) na Índia — ou Poderes Conscientes

e Inteligentes da Natureza.

A essa hierarquia correspondem os tipos atuais em que

a Humanidade pode ser dividida; porque a Humanidade, como um todo, é a

expressão     materializada, embora        imperfeita, daquela hierarquia.

O "Exército da

Voz"    é    uma      denominação        que se acha intimamente relacionada com                  o

mistério    do      Som     e da     Linguagem, como efeito e corolário da Causa: o

Pensamento Divino.

Como tão bem o expressou P. Christian, o ilustrado autor de

Histoire de Ia Magie e de L’Homme Rouge des Tuileries,                        tanto as palavras

Permutação de Oeaohoo.

O significado literal da palavra, para os ocultistas orientais do Norte, é vento circular ou torvelinho; mas, no presente caso, exprime o incessante e eterno Movimento Cósmico, ou melhor, a Força Motriz, tacitamente aceita como a Divindade, sem jamais ser nomeada.

É o eterno Kârana, a Causa sempre ativa.

(Veja-se o Chhândogya Upanishad, Cap.

I, Seção XIII, vers.

1-3. Os três versículos dão, em linguagem criptográfica, uma exposição completa de tudo quanto se acha aqui resumido no primeiro parágrafo.)

pronunciadas pelos indivíduos como os nomes de que são portadores têm grande

influência em seu destino futuro.

Por quê? Porque:

"Quando nossa Alma [Mente] cria ou evoca um

pensamento, o signo representativo desse pensamento fica

automaticamente gravado no fluido astral, que é o receptáculo

e, por assim dizer, o espelho de todas as manifestações da

existência.

O signo expressa a coisa; a coisa é a virtude [latente

ou oculta] do signo.

Pronunciar uma palavra é evocar um pensamento e

fazê-lo presente; o poder magnético da palavra humana é o

começo de todas as manifestações no Mundo Oculto.

Pronunciar um nome é não somente definir um Ser [uma

Entidade], mas submetê-lo à influência desse nome e condená-

lo, por força da emissão da palavra [Verbum], a sofrer a ação

de um ou mais poderes ocultos.

As coisas são, para cada um

de nós, o que a palavra determina quando as nomeamos.

A

palavra [Verbum] ou a linguagem de cada homem é, sem que

ele disso tenha consciência, uma bendição ou uma maldição; e

é por isso que a nossa atual ignorância acerca das

propriedades ou atributos da idéia, assim como sobre os

atributos ou propriedades da matéria,         nos é   tantas vezes

fatal.

Sim; os nomes [e as palavras] são benéficos ou

maléficos; em certo sentido, são nocivos ou salutares,

conforme as influências ocultas que a Sabedoria suprema

associou a seus elementos, isto é, às letras que os compõem e

aos números que correspondem a estas letras."

Certíssimo; e é esse o ensinamento esotérico aceito por todas as escolas

orientais de Ocultismo.

No sânscrito, como no hebraico e em todos os demais

alfabetos, cada letra tem sua significação oculta e sua razão de ser; é uma causa, e

também o efeito de uma causa procedente, e a combinação de letras produz muitas

vezes efeitos mágicos.

As vogais, sobretudo, encerram tremendos poderes ocultos.

Os Mantras (esotericamente, mais invocações mágicas que religiosas) são cantados

pelos brâmanes, como o resto dos Vedas e outras Escrituras.

O "Exército da Voz" é o protótipo da "Coorte do Logos", ou o "Verbo" do

Sepher Yetzirah, chamado na Doutrina Secreta o "Número Único saído do Não-

Número" — o Princípio Uno Eterno.

A Teogonia esotérica principia com o Um

Manifestado (portanto, não eterno em sua presença e ser, conquanto eterno em sua

essência); o Número dos Números e o Numerado, procedente este último da Voz, a

Vâch feminina "das cem formas", Shatarûpa ou a Natureza.

Do número 10, ou a

Natureza Criadora, a Mãe (o Zero oculto, "0", procriando e multiplicando

incessantemente, em união com a unidade "1", ou o "Espírito de Vida"), procede o

Universo inteiro.

No Anugîtâ270 se conta uma conversa entre um brâmane e sua esposa, a

respeito da origem da Linguagem e de suas propriedades ocultas.

A mulher

VI, 15. O Anugîtâ faz parte do Ashvamedha Parvan do Mahâbhârata.

O tradutor do Bhagavad Gitâ, editado por Max Muller, considera-o uma continuação do Bhagavad Gitâ.

Seu original representa um dos mais antigos Upanishads.

pergunta como surgiu a Linguagem, e qual dos dois, a Linguagem ou a.Mente,

apareceu primeiro.

O brâmane lhe responde que o Apâna (sopro de inspiração),

tornando-se o senhor, muda aquela inteligência, que não compreende a Linguagem

ou as palavras, no estado de Apâna, e assim abre a Mente.

E lhe narra uma história,

um diálogo entre a Linguagem e a Mente.

Os dois foram ter à casa do Eu do Ser

(isto é, o Eu Superior individual, como pensa Nilakantha; ou Prajâpati, segundo o

comentador Arjuna Mishra), e lhe pediram que dirimisse as dúvidas, decidindo qual

deles tinha a precedência e era superior ao outro.

Ao que respondeu o Senhor: "A

Mente (é superior)." Mas, a Linguagem replicou ao Eu do Ser, dizendo: "Em

verdade, sou eu que dou (a vós) os vossos desejos", querendo com isto significar

que é por meio da Linguagem que ele adquiria o que desejava.

Então o Eu lhe disse

que existem duas Mentes, a "mutável" e a "imutável". "A imutável está comigo" —

acrescentou — "e a mutável pertence ao vosso domínio" (o da Linguagem). "Nesse,

sois superior."

"Mas,   ó   formosa   criatura!   desde   que   vieste

pessoalmente falar-me [do modo por que o fizeste, isto é,

altivamente], ó Sarasvati! jamais haverás de falar depois da

expiração [penosa]. A deusa Linguagem [Sarasvati, forma ou

aspecto último de Vâch, e deusa também do conhecimento

secreto ou Sabedoria esotérica] em verdade mora sempre

entre o Prâna e o Apâna.

Mas, ó nobre criatura! viajando com o

vento Apâna [o ar vital], embora impelida... sem o Prâna [sopro

de expiração], ela correu a Prajâpati [Brahmâ], dizendo:

"Dignai-vos, ó venerável Senhor!" Então o Prâna acudiu

novamente e alimentou a Linguagem.

Por isso, a Linguagem

nunca fala após a expiração [penosa]. É sempre ruidosa ou

sem ruído.

Das duas, a [Linguagem] sem ruído é superior à

ruidosa.

.. A [Linguagem] produzida no corpo por meio do

Prâna, e que logo vai a [é transformada em] Apâna,

assimilando-se depois a Udâna [os órgãos físicos da

Linguagem]... habita finalmente no Samâna ['no umbigo, sob a

forma de som, como causa material de todas as palavras' —

diz Arjuna Mishra]. Assim falou em tempos idos a Linguagem.

E

por isso é que a Mente se distingue em razão de sua existência

imutável, e a Deusa [a Linguagem] em razão de sua existência

mutável271."

Esta alegoria corresponde a um dos fundamentos da lei oculta, que

prescreve o silêncio a respeito do conhecimento de certas coisas secretas e

invisíveis, que só podem ser percebidas pela mente espiritual (o sexto sentido), não

podendo expressá-las a linguagem "ruidosa" ou pronunciada.

Este capítulo do Anugitâ — diz Arjuna Mishra — explica o Prânyâma, ou

metodização da respiração nas práticas de Ioga.

Contudo, sem a prévia aquisição

ou pelo menos a compreensão plena dos dois sentidos superiores (dos sete que

existem, como se verá), o sistema pertence antes ao Ioga inferior.

Os Arhats sempre

desaprovaram o chamado Hatha Yoga.

É prejudicial à saúde, e por si só jamais

pode desenvolver-se em Râja Yoga.

Anugîtâ, trad.

de Telang, Sacred Books of the East, págs.

264-266.

A história também serve para demonstrar como, na metafísica da

antigüidade, os seres inteligentes, ou melhor, as "Inteligências", se acham

inseparavelmente unidos a cada um dos sentidos ou funções, sejam físicos ou

mentais.

O asserto ocultista de que existem sete sentidos no homem, como

também na Natureza, e de que há sete estados de consciência, é corroborado na

mesma obra, no capítulo VII, que se ocupa de Pratyâhâra (a restrição e a regulação

dos sentidos, sendo Prânâyama a dos "ares vitais" ou respiração). O brâmane,

falando da instituição dos sete Sacerdotes do sacrifício (Hotris), diz: "O nariz e os

olhos, a língua e a pele, e o ouvido como o quinto (ou o olfato, a vista, o gosto, o tato

e a audição), a mente e o entendimento são os sete sacerdotes do sacrifício, que

atuam separadamente"; os que, "vivendo em um espaço muito limitado, (entretanto)

não se dão conta um do outro" neste plano sensorial — com exceção da mente.

Porque a mente diz: "Sem mim, o nariz não respira, o olho não distingue a cor etc.

Eu sou o eterno chefe de todos os elementos (isto é, dos sentidos). Sem mim, os

sentidos jamais se manifestam: são qual uma casa vazia, ou qual fogo cujas chamas

se extinguiram.

Sem mim, todos os seres, qual combustível meio seco, meio úmido,

não percebem nem as qualidades nem os objetos, ainda que os sentidos estejam

em atividade272."

Tudo isso, naturalmente, se refere só à mente quando opera no plano

material.

A Mente Espiritual, a parte ou aspecto superior do Manas impessoal, não

trava conhecimento com os sentidos do homem físico.

Os antigos conheciam

perfeitamente a correlação de forças e todos os fenômenos recentemente

Isso demonstra que todos os metafísicos modernos, somados aos Hegels, Berkeleys, Schopenhauers, Hartmanns, Herbert-Spencers, do passado e do presente, e mais os Hilo-Idealistas de nossos dias, não passam de pálidos copistas da veneranda antigüidade! (Op. cit., cap.

VII, págs.

267-8).

descobertos, quanto às faculdades e funções mentais e físicas, e ainda muitos

outros mistérios, como se pode ver lendo os capítulos VII e VIII daquela inestimável

obra de ensinamentos filosóficos e místicos (Anugîtâ). Observe-se a discussão entre

os sentidos acerca da superioridade de cada um deles, e a idéia de recorrerem a

Brahmâ, o Senhor de todos os seres, como árbitro.

"Todos vós sois eminentemente

grandes, e não cada qual o maior" (ou superiores aos objetos, como diz Arjuna

Mishra, e nenhum deles independente do outro). "Possuis todos vós as qualidades

uns dos outros.

Todos são o máximo em sua respectiva esfera, e todos se amparam

uns nos outros.

Há um imutável (o ar vital ou sopro, chamado a inspiração Ioga, que

é o sopro do Um ou Eu Supremo).Este é o meu próprio Eu, acumulado em

numerosas (formas)273."

Este Alento, Voz, Eu ou Vento (Pneuma?) é a Síntese dos Sete Sentidos;

numenicamente, todos divindades menores, e esotericamente o Setenário e o

"Exército da Voz".

(b) Vemos mais adiante a Matéria Cósmica dispersando-se e constituindo-

se em Elementos, agrupados no místico Quatro, dentro do quinto Elemento, o Éter, o

"revestimento" da Âkâsha, a Anima Mundi ou Mãe do Cosmos.

"Pontos, Linhas,

Triângulos, Cubos, Círculos" e finalmente "Esferas"; por que ou como? Porque, diz o

Comentário, tal é a primeira lei da Natureza, e porque a Natureza geometriza

universalmente em todas as suas manifestações.

É uma lei fundamental, não

somente na matéria primordial, mas também na matéria manifestada em nosso

plano        fenomenal:       a    Natureza   correlaciona   suas   formas   geométricas   e,

posteriormente, os seus elementos compostos; lei segundo a qual não há lugar para

Op. cit., cap.

VII, págs.

273-4.

o acidente nem para o acaso.

Na Natureza não existe repouso nem cessação de

movimento — este é um princípio básico em Ocultismo274.                 O que parece repouso

não é senão a mudança de uma forma em outra; e a mudança de substância se

opera paralelamente à mudança de forma — pelo menos é o que nos ensina a física

ocultista, antecipando-se deste modo à descoberta da "conservação da matéria".

Diz o antigo Comentário275 à Estância IV:

A Mãe é o Peixe ígneo da Vida.

Ela espalha a sua

Ova, e o Alento (o Movimento) a aquece e desenvolve.

Os

grânulos (da Ova) se atraem uns aos outros, e formam os

Coágulos no Oceano (do Espaço). As massas maiores se

aglutinam, e recebem outra Ova, em Pontos, Triângulos e

Cubos de fogo, que maturam, e a seu tempo algumas das

massas se desprendem e tomam a forma esferoidal, mas esta

operação só se realiza quando as outras não se interpõem.

Depois disso, a Lei N.°*** entra em função.

O Movim ento (o

Alento) se converte em torvelinho e as põe em rotação276.

É o conhecimento desta lei que permite ao Arhat realizar os seus Siddhis ou fenômenos diversos, tais como a desintegração da matéria, o transporte de objetos de um lugar para outro etc.

Trata-se de antigos Comentários, anexados com glosas modernas às Estâncias; porquanto aqueles, com sua linguagem simbólica, são em geral tão difíceis de compreender quanto as próprias Estâncias.

Em uma obra de polêmica científica, The Modern Gênesis (pág.

48), o Reverendo W. B. Slaugther, criticando a posição assumida pelos astrônomos, diz: "É de lamentar que os defensores desta teoria (a nebular) não hajam discutido mais amplamente este assunto (o princípio da rotação). Nenhum deles se digna de nos dar a razão disso.

Como é que o processo de esfriamento e contração da massa comunica a ela o movimento rotativo?" (Citado por Winchell, World-Life, pág.

94.) Não é a ciência materialista que pode resolver o problema.

"O movimento ê eterno no não-manifestado, e

5. O Oi-Ha-Hou — As Trevas, o Sem Limites, ou o Não-Número, Adi- Nidâna, Svabhâvat, o O                :

I. O Adi-Sanat, o Número; porque ele é Um (a).

II. A Voz da Palavra, Svabhâvat, os Números; porque ele é Um e

Nove

III.

O "Quadrado sem Forma279".

E estes Três, encerrados no O                   , são o Quatro Sagrado; e os Dez

são o Universo Arûpa (b)281. Depois vêm os Filhos, os Sete Combatentes, o

Um, o Oitavo excluído, e seu Sopro, que é o Artífice da Luz (c)282.

(a) "Àdi-Sanat", em tradução literal, é o Primeiro ou o "Primitivo Ancião",

nome que identifica o "Ancião dos Dias" e o "Santo Ancião" (Sephira e Adão

Kadmon), da Cabala, com Brahmâ, o Criador, que é também chamado Sanat, entre

outros diversos nomes e títulos.

periódico no manifestado" — consta de um ensinamento oculto.

"Sucede que, quando o calor, causado pela descida da Chama na matéria primordial, faz mover as partículas desta última, tal movimento se converte em torvelinho." Uma gota de líquido assume a forma esferoidal porque os seus átomos se movem uns ao redor dos outros, em sua essência última, irresolúvel e numênica; irresolúvel, em todo caso, para a ciência física.

A questão será discutida com amplitude mais adiante.

O X , a quantidade desconhecida.

O que perfaz Dez, ou o número perfeito, aplicado ao Criador, nome dado ao conjunto dos Criadores, que os monoteístas fundiram em Um; da mesma forma que os "Elohim", Adão-Kadmon ou Sephira, a Coroa, são a síntese andrógina dos dez Sephiroth que constituem o símbolo do Universo manifestado, na Cabala vulgar.

Os Cabalistas esotéricos, todavia, acompanhando os Ocultistas orientais, separam do resto o triângulo superior Sephirothal (ou Sephira, Chokmah e Binah), com o que ficam sete Sephiroth.

Quanto a Sabhâvat, os orientalistas explicam que o termo significa a matéria plástica universal difundida através do espaço, com o pensamento talvez no Éter da Ciência.

Mas os Ocultistas o identificam com o "Pai-Mãe", no plano místico.

Arûpa.     Círculo sem limites.

Subjetivo, sem forma.

Bhâskara.

Svabhâvat é a Essência mística, a Raiz plástica da Natureza física; "os

Números", quando manifestado; "o Número", em sua Unidade de Substância, no

plano mais elevado.

O nome é um termo budista, sinônimo da quádrupla Anima

Mundi, o Mundo Arquétipo da Cabala, de onde procedem os Mundos Criadores,

Formadores e Materiais; e as Chispas ou Centelhas, os outros diversos mundos

contidos nos três últimos.

Os Mundos se acham todos sujeitos a Governadores ou

Regentes — Rishis e Pitris, entre os hindus, Anjos para os judeus e cristãos; e

Deuses em geral, entre os antigos.

(b) O Isto significa que o "Círculo sem Limites", o Zero, passa a ser um

número somente quando um dos outros nove algarismos o precede, manifestando

assim o seu valor e potência; o "Verbo" ou Logos em união com a "Voz" e o

Espírito283 (a expressão e origem da consciência) representa os nove algarismos, e

forma com o zero, a década, que contém em si todo o Universo.

A Tríade forma

dentro do círculo a Tetraktys ou o "Quatro Sagrado", sendo o Quadrado inscrito no

Círculo a mais poderosa de todas as figuras mágicas.

(c) O "excluído" é o Sol do nosso sistema.

A versão exotérica pode-se ver

nas mais antigas Escrituras sânscritas.

No Rig Veda, Aditi, o "Ilimitado", ou o Espaço

Infinito — traduzido por Max Muller como "o infinito visível, visível a olho nu" (!!), "a

expansão sem limites, além da terra, além das nuvens, além dos céus" — equivale à

"Mãe-Espaço", que é coexistente com as "Trevas". Dá-se-lhe com muita propriedade

o nome de "Mãe dos Deuses". Deva-Mâtri, porque de sua matriz cósmica nasceram

Refere-se isto ao Pensamento Abstrato e à Voz concreta, ou manifestação daquele, o efeito da causa.

Adão Kadmon, ou o Tetragrammaton, é o Logos da Cabala.

Nesta última, portanto, aquela Tríade corresponde ao Triângulo superior — Kether, Chokmar e Binah; e Binah é uma potência feminina e ao mesmo tempo o Jehovah masculino, porque participa da natureza de Chokmah, ou a Sabedoria masculina.

todos os corpos celestes do nosso sistema, o Sol e os Planetas.

É por isso descrita

da seguinte maneira, alegoricamente: "Oito Filhos nasceram do corpo de Aditi; ela

se aproximou dos Deuses com sete, mas repudiou o oitavo, Mârtanda", nosso Sol.

Os sete filhos, chamados os Âdityas, representam, cósmica e astronomicamente, os

sete planetas; e a exclusão do Sol demonstra claramente que os Hindus podem ter

conhecido, e realmente conheciam, um sétimo planeta, sem que o chamassem

Urano284.

Mas, esotérica e teologicamente, por assim dizer, os Âdityas, em seu

mais antigo e primitivo sentido, são os oito e os doze grandes deuses do Panteão

hindu.

"Os Sete permitem que os mortais vejam as suas moradas, mas eles se

deixam mostrar somente aos Arhats" — diz um velho provérbio; devendo entender-

se por "suas moradas" os planetas.

O Comentário antigo menciona e explica a

seguinte alegoria:

"Oito casas foram construídas pela Mãe: oito casas

para seus oito Filhos Divinos: quatro grandes e quatro

pequenas.

Oito brilhantes Sóis, de acordo com a idade e os

méritos de cada um. Bal-i-lu [Mârtanda] não estava satisfeito,

embora sua casa fosse a maior.

Principiou [a trabalhar] como o

A Doutrina Secreta ensina que o Sol é uma estrela central; e não um planeta.

Os antigos, porém, conheciam e reverenciavam sete grandes deuses, excluindo o Sol e a Terra.

Qual era esse "Deus do Mistério", que eles consideravam à parte? Não era certamente Urano, que foi descoberto por Herschell em 1781. Mas não poderia ser conhecido por outro nome? Ragon diz: "Havendo as ciências ocultas descoberto, por meio de cálculos astronômicos, que devia ser sete o número dos planetas, os antigos foram levados a introduzir o Sol na escala das harmonias celestes e fizeram-no ocupar o lugar vago.

Como conseqüência, toda vez que percebiam uma influência que não correspondia a nenhum dos planetas conhecidos, atribuíam-no ao Sol... O erro afigura-se importante; mas não o era nos resultados práticos, uma vez que os antigos astrólogos substituíam Urano pelo Sol, que... é uma Estrela central relativamente imóvel, girando apenas sobre o seu eixo, e que regula o tempo e as medidas, não podendo ser desviada de suas verdadeiras funções." (Maçonnerie Occulte, pág.

447). A nomenclatura dos dias da semana também está errada.

"O dia do Sol (Domingo) deve ser o dia de Urano (Urani dies, Urandi)" — diz o erudito escritor.

fazem os elefantes.

Aspirou dentro de [atraiu para] seu

estômago os ares vitais de seus irmãos.

Tentou devorá-los.

Os

quatro maiores estavam muito longe, nos confins do seu

reino285. Não foram molestados [influenciados], e riram-se dele.

'Faze tudo quanto quiseres, Senhor, não poderás alcançar-nos'

— disseram.

Os menores, porém,               choraram.

Eles       se

queixaram à Mãe.

Ela enviou Bal-i-lu para o centro do seu

reino, de onde não podia sair.

E [desde então] ele [somente] os

espreita e ameaça.

Persegue-os girando lentamente em torno

de si mesmo;       e os outros se afastam rapidamente.

Ele

acompanha de longe a direção em             que seguem os seus

irmãos no caminho que lhes circunda as casas286.            A partir

desse dia, alimenta-se com o suor do corpo da Mãe, e enche-

se com o seu sopro e os seus resíduos.

Por isso ela o

repudiou."

Assim, sendo o nosso Sol, como está evidente, o "Filho Repudiado", os

"Filhos Sóis" se referem não somente aos nossos planetas como aos corpos

celestes em geral.

O próprio Sûrya, que não é senão um reflexo do Sol Central

Espiritual, é o protótipo de todos aqueles corpos que se desenvolveram depois dele.

Nos Vedas tem o nome de Loka Chakshuh, o "Olho do Mundo" (nosso mundo

planetário), e é uma das três divindades principais.

Chama-se indiferentemente o

Filho de Dyaus ou de Adyti, pois que não se faz nenhuma distinção quanto ao

significado esotérico, nem há lugar para ela.

Assim é que o descrevem como sendo

O Sistema Planetário.

"O Sol gira em torno do seu eixo sempre na mesma direção em que os planetas giram em suas órbitas respectivas" — ensina a astronomia.

arrastado por sete cavalos e por um cavalo de sete cabeças: referindo-se os

primeiros aos sete planetas, e o último à origem comum deles no Elemento Cósmico

Uno.

Este "Elemento Uno" é chamado "Fogo" em sentido figurado.

Os Vedas

ensinam que "o fogo" é, em verdade, "o conjunto das divindades287".

O significado da alegoria é claro, já que dispomos, para interpretá-la, do

Comentário de Dzyan e da Ciência moderna, ainda que os dois divirjam em mais de

um pormenor.

A Doutrina Oculta rejeita a hipótese, nascida da teoria nebular, de que

os (sete) grandes planetas são oriundos da massa central do Sol, deste nosso Sol

visível, pelo menos.

É certo que a primeira condensação da matéria cósmica se

processou em torno de um núcleo central, o seu Sol-pai; mas, de acordo com o

ensinamento, o nosso Sol apenas se desprendeu antes que os demais, ao contrair-

se a massa em rotação, sendo por isso o "irmão" maior dos outros, e não o seu

"pai". Os oito Âdityas, os "deuses", são todos formados da substância eterna (a

matéria cometária, a Mãe288), ou o "material dos mundos", que é, ao mesmo tempo,

o quinto e o sexto Princípio Cósmico, o Upâdhi ou Base da Alma Universal, assim

como, no homem, o Microcosmo, Manas289, é o Upâdhi de Buddhi290.

Há todo um poema nos combates pré-genéticos travados entre os

planetas em desenvolvimento, antes da formação final do Cosmos, fato que explica

a posição aparentemente perturbada dos sistemas de vários planetas; o plano dos

satélites de alguns (de Netuno e de Urano, por exemplo, sobre os quais nada

sabiam os antigos, segundo se diz), havendo sofrido uma declinação, parece

apresentar um movimento retrógrado.

Tais planetas são chamados os Guerreiros, os     Veja-se o Anugîtâ, Telang, I, pág.

9; e o Aitareya Brâhmana, Hang, pág.

1.     Esta essência da matéria cometária, segundo ensina a Ciência Oculta, é completamente diferente de todos os caracteres físicos ou químicos que a ciência moderna conhece.

É homogênea em sua forma primitiva além dos Sistemas Solares, mas se diferencia inteiramente quando transpõe as fronteiras da região de nossa Terra; viciada pela atmosfera dos planetas, e pela matéria já composta da textura interplanetária, é heterogênea unicamente em nosso mundo manifestado.

Manas, o Princípio Mental ou Alma Humana.

Buddhi, a Alma Divina.

Arquitetos, e a Igreja Católica os considera como os chefes dos Exércitos Celestes,

seguindo neste particular as tradições.

O Sol — reza o ensinamento —, tendo-se

desenvolvido do Espaço Cósmico (antes da formação final dos primários e da

anulação da nebulosa planetária), absorvia nas profundezas de sua massa toda a

vitalidade cósmica que podia, ameaçando tragar os seus "Irmãos" mais fracos antes

que a lei de atração e repulsão estivesse definitivamente ajustada; depois disso é

que ele começou a alimentar-se "com o suor e os resíduos da Mãe”; por outras

palavras, daquelas partes do Éter (o "Alento da Alma Universal") de cuja existência e

constituição a Ciência ainda se encontra na mais completa ignorância.

Teoria semelhante foi já apresentada por Sir William Grove291. Dizia ele

que "os sistemas mudam gradualmente em virtude de adições e subtrações

atmosféricas, ou por causa de acréscimos e diminuições que têm origem na

substância da nebulosa"; e, mais, que "o sol pode condensar matéria gasosa à

medida que viaja pelo espaço, com isso produzindo calor".

Vê-se, pois, que o ensinamento arcaico tem suficientes visos de científico,

ainda nos dias atuais292.

O Sr. W. Mattieu William sugeriu que a matéria difusa, ou Éter, que é o

recipiente das radiações de calor do Universo, é por este motivo atraída para as

profundezas da massa solar; e, expulsando dali o Éter já anteriormente condensado

e agora termicamente esgotado, se comprime e cede o seu calor, sendo por sua vez

conduzida a um estado de rarefação e esfriamento, para em seguida absorver nova

Veja-se: Correlation of Physical Forces, 1943, pág.

81; e Address to the British Association, 1866.    Encontram-se idéias muito parecidas em The Fuel of the Sun, de W. Mattieu Williams, e em On the Conservation of Solar Energy, do Dr. C. William Siemens (Nature, XXV, págs.

440-444, 9 de março de 1882); também as expressou o Dr. P. Martin Duncan em um discurso que pronunciou como Presidente da Sociedade Geológica de Londres em maio de 1877. Veja-se World-Life, por Alexander Winchell, LL, D., págs., 53 e seguintes.

quantidade de calor, que ele supõe ser assim arrebatada pelo Éter e novamente

concentrada e redistribuída pelos Sóis do Universo.

Eis aí uma tão grande aproximação dos ensinamentos ocultos como

jamais o podia imaginar a Ciência; pois o Ocultismo explica a questão pelo "alento

sem vida" que Martânda devolve e por sua alimentação com "o suor e os resíduos"

da "Mãe-Espaço". O que só mui de leve podia molestar Netuno293, Saturno e Júpiter,

teria destruído "Mansões" relativamente pequenas como Mercúrio, Vênus e Marte.

Como Urano não era conhecido antes do fim do século XVIII, o nome do quarto

planeta mencionado na alegoria continuará sendo um mistério para nós.

O "Alento" de todos os "Sete" diz-se que é Bhâskara, o Fazedor da Luz,

porque (os planetas) eram todos cometas e sóis em sua origem.

Eles evolucionaram

do Caos Primitivo (agora o númeno das nebulosas insolúveis) para a vida

manvantárica mediante a agregação e acumulação das diferenciações primárias da

Matéria eterna, o que o Comentário traduz nesta formosa expressão: "Assim os

Filhos da Luz se revestem com o tecido das Trevas." Alegoricamente, são chamados

os "Caracóis Celestes", em razão das Inteligências sem forma (para nós) que,

invisíveis, habitam suas mansões estelares e planetárias, que, por assim dizer,

arrastam consigo, à maneira de caracóis, em sua revolução.

A doutrina de uma origem comum de todos os planetas e corpos celestes

era, como vimos, ensinada pelos astrônomos arcaicos, muito antes de Kepler,

Newton, Leibnitz, Kant, Herschell e Laplace.

O Calor (o "Alento"), a atração e a Repulsão — os três grandes fatores do

Movimento — são as condições em que nascem, se desenvolvem e morrem todos

Quando falamos de Netuno, não o fazemos como ocultista, e sim como européia.

O verdadeiro ocultista oriental sustenta que, embora existam ainda muitos planetas por descobrir em nosso sistema, Netuno a este não pertence realmente, em que pese à sua aparente conexão com o nosso Sol e à influência do mesmo sobre ele.

Tal conexão é mayávica e imaginária, dizem.

os membros daquela família primitiva; para renascerem após uma "Noite de

Brahmâ", durante a qual a matéria eterna recai, periodicamente, em seu estado

primário não diferenciado.

Os gases mais rarefeitos não podem dar, ao físico

moderno, nenhuma idéia da natureza dessa matéria eterna.

Centros de força a

princípio, as Centelhas invisíveis ou átomos primordiais se diferenciam em

moléculas e se convertem em Sóis (passando gradualmente ao estado de

objetividade), gasosos, radiantes, cósmicos; e o "Torvelinho Único" (ou Movimento)

dá finalmente o impulso para a forma e o primeiro movimento, regulado e mantido

pelos "Alentos" que não descansam jamais: os Dhyân Chohans.

6. ... Em seguida, os Segundos Sete, que são os Lipika, produzidos

pelos Três294. O Filho excluído é Um. Os "Filhos-Sóis" são inumeráveis.

Os "Lipika", da palavra lipi, "escrito", significam literalmente os

"Escreventes295". Misticamente, estes Seres Divinos se acham relacionados com o

Carma, a Lei de Retribuição, pois são os Registradores ou Cronistas que imprimem

sobre tábuas invisíveis (para nós) da Luz Astral, "o grande museu de quadros da

eternidade", um registro fiel de cada uma das ações e até de cada um dos

pensamentos do homem, e de tudo o que foi, é e será no Universo fenomenal.

Como dissemos em Isis sem Véu, esse repositório divino e invisível é o Livro da

Vida.

Os Lipika são os que, da Mente Universal passiva, projetam na objetividade o

plano ideal do Universo, plano pelo qual os "Construtores" reconstroem o Cosmos

depois de cada Pralaya.

Correspondem eles, portanto, aos Sete "Espíritos

Planetários", ou "Espíritos das Estrelas"; sendo assim os escrivães diretos da

O Verbo, a Voz e o Espírito.

Estes são os quatro "Imortais" que se mencionam no Atharva Veda como os "Vigilantes" ou os Guardiães dos quatro cantos do céu (veja-se o capítulo LXXXVI, 1-4 e segs.).

Ideação Eterna, ou "Pensamento Divino", como a chama Platão.

Os Anais Eternos

não são um sonho platônico: vemos registros idênticos no mundo da matéria

grosseira.

Diz o Dr. Draper:

"Uma sombra nunca se projeta sobre um muro sem

nele deixar um traço permanente, que se pode tornar visível

com a utilização de processos adequados... Os retratos de

nossos amigos e as paisagens podem ficar ocultos à vista na

superfície sensitiva, mas estão prontos para surgir logo que se

empregue o reativo necessário.

Um espectro se conserva

oculto na superfície prateada ou de cristal, até que o fazemos

aparecer no mundo visível com a nossa necromancia.

Sobre as

paredes de nossos recintos mais privados, ali onde nos

jactamos de que não pode jamais penetrar o olho intruso, onde

acreditamos que a nossa intimidade não pode ser profanada,

subsistem os vestígios de todos os nossos atos, as silhuetas de

tudo quanto fizemos296."

Os Drs.

Jevons e Babbage crêem que cada pensamento desloca as

partículas do cérebro, pondo-as em movimento e disseminando-as pelo Universo;

crêem também que "cada partícula da matéria existente deve ser um registro de

tudo quanto aconteceu297". A doutrina antiga principia, dessa forma, a adquirir foros

de cidadania nas especulações do mundo científico.

Conflict hetween Religion and Science, páginas 132 e 133.       Principies of Sciences, II,

Os quarenta "Assessores", que se postam na região do Amenti como

acusadores da Alma perante Osíris, pertencem à mesma classe de divindades dos

Lipika; e seriam considerados como semelhantes, se os deuses egípcios não fossem

tão mal compreendidos em sua significação esotérica.

O Chitragupta hindu, que lê a

história da vida de cada Alma nos registros chamados Agra-Sandhâni; os

"Assessores", que lêem no coração do defunto, que se torna um livro aberto diante

de Yama, Minos, Osíris ou Carma; são outras tantas cópias e variantes dos Lipika e

de seus Anais Astrais.

Não obstante, os Lipika não são divindades relacionadas com

a Morte, mas com a Vida Eterna.

Associados que estão ao destino de cada homem e ao nascimento de

toda criança, cuja vida já vem traçada na Luz Astral — não com um caráter fatalista,

senão porque o Futuro, como o Passado, permanece sempre vivo no Presente —,

pode-se dizer ainda que os Lipika exercem influência sobre a ciência do Horóscopo.

A verdade desta última tem que ser admitida, quer o desejemos ou não; pois, como

observa um dos modernos professores de Astrologia:

"Agora, que a fotografia nos revelou a influência

química do sistema sideral, ao fixar sobre uma placa sensível

milhares de estrelas e planetas que até então haviam frustrado

as investigações dos telescópios mais poderosos, torna-se

mais fácil compreender como o nosso sistema solar pode, ao

nascer uma criança, influir-lhe no cérebro — virgem de toda

impressão — de uma maneira bem definida e em relação com

a presença, no zênite, de tal ou qual constelação298."

Les Mystères de l’Horoscope, Ely Star, página XI.

ESTÂNCIA V

Fohat, o Filho das Hierarquias Setenárias

1. Os Sete Primordiais, os Sete Primeiros Alentos do Dragão de

Sabedoria, produzem por sua vez o Torvelinho de Fogo com os seus Sagrados

Alentos de Circulação giratória.

De todas as Estâncias, talvez seja esta a mais difícil de explicar.

Seus

termos somente são compreensíveis para quem esteja muito versado na fraseologia

das alegorias orientais, intencionalmente obscura.

Certamente que nos será feita a seguinte pergunta: Crêem os ocultistas

em todos esses "Construtores", "Lipika" e "Filhos da Luz", como Entidades, ou não

passam de simples imagens? Responderemos: Embora concedendo que haja o

emprego de certas imagens para exprimir os Poderes personificados, temos que

admitir a existência daquelas Entidades, a não ser que neguemos a existência da

Humanidade Espiritual dentro da Humanidade física.

Porque os exércitos dos

"Filhos da Luz", os Filhos nascidos da Mente do Primeiro Raio manifestado do Todo

Desconhecido, são a raiz mesma do Homem Espiritual.

A menos que acreditemos

no dogma anti-filosófico da criação de uma alma especial para cada nascimento

humano, e que, desde Adão, surgem diariamente novas coleções de almas, não há

como deixar de admitir o ensinamento oculto.

É o que trataremos de esclarecer em

tempo e lugar convenientes.

Vejamos agora qual pode ser o sentido oculto desta Estância.

Ensina a Doutrina que, para chegarem a Deuses divinos e plenamente

conscientes, as Inteligências Espirituais Primárias (inclusive as mais elevadas) têm

que passar pela fase humana.

E a palavra "humana" não deve aqui aplicar-se tão

somente à nossa humanidade terrestre, mas igualmente aos mortais que habitam

todo e qualquer mundo, ou seja, àquelas Inteligências que alcançaram o necessário

equilíbrio entre a matéria e o espírito, como nós agora, que já transpusemos o ponto

médio da Quarta Raça-Raiz da Quarta Ronda.

Cada Entidade deve conquistar por si

mesma o direito de converter-se em um ser divino, à custa da própria experiência.

Hegel, o grande pensador alemão, deve ter conhecido ou pressentido

intuitivamente essa verdade, quando disse que o Inconsciente fez evolucionar o

Universo "com a esperança de adquirir clara consciência de si mesmo", ou, por

outras palavras, de se tornar Homem.

Outro não é também o significado da

expressão purânica, tantas vezes repetida, de que Brahmâ é constantemente

"impelido pelo desejo de criar". Da mesma ordem de idéias é o sentido secreto da

frase cabalística: "O Sopro torna-se pedra; a pedra converte-se em planta; a planta

em animal; o animal em homem; o homem em espírito; e o espírito em um deus." Os

Filhos nascidos da Mente, os Rishis, os Construtores etc., foram todos homens,

quaisquer que tenham sido suas formas e aspectos em outros mundos e nos

Manvantaras precedentes.

Sendo de caráter eminentemente místico este assunto, é mui difícil

explicá-lo em todas as suas minúcias e conseqüências, pois nele se acha contido

todo o mistério da criação evolutiva.

Uma ou duas frases deste Sloka lembram de

modo vivido expressões semelhantes da Cabala e da fraseologia do Rei Salmista299.

Uma e outra, referindo-se a Deus, fazem do vento o seu mensageiro, e de seus

"ministros um fogo abrasador". Mas na Doutrina Secreta isso tem um sentido

figurado.

O "Torvelinho de Fogo" é a poeira cósmica incandescente, que acompanha

magneticamente, como a limalha de ferro ao ímã, o pensamento diretor das "Forças

Criadoras". Contudo, esta poeira cósmica é alguma coisa mais: porque cada átomo

no Universo traz em si a potencialidade da própria consciência, e em última análise,

como as Mônadas de Leibnitz, é um Universo em si mesmo e por si mesmo.

É um

átomo e um anjo.

A esse respeito, cabe observar que um dos luminares da moderna escola

evolucionista, o Sr. A. R. Wallace, demonstrando a insuficiência da "seleção natural"

como fator único no desenvolvimento do homem físico, admite praticamente as

idéias que vimos de expor.

Sustenta que a evolução do homem foi dirigida e

impulsionada por Inteligências superiores, cuja ação faz parte, integrante e

necessária do plano da Natureza.

Mas, desde o momento em que se admite a

intervenção de tais Inteligências em determinado ponto, é forçoso, por uma questão

de lógica, estendê-la a outros pontos.

Não se pode traçar nenhuma limitação

divisória rígida.

2. Dele fazem o Mensageiro de sua Vontade (a). O Dzyu converte-se

em Fohat: o Filho veloz dos Filhos Divinos, cujos Filhos são os Lipika300, leva

mensagens circulares.

Fohat é o Corcel, e o Pensamento o Cavaleiro301. Ele

passa como um raio através de nuvens de fogo (b)302; dá Três, Cinco e Sete

Salmos, CIV, 4.     Cumpre não perder de vista a diferença que existe entre os Construtores, os Espíritos Planetários e os Lipika.

(Vejam-se os Slokas 5 e 6 deste Comentário.)     Isto é: que está sob a influência de seu pensamento diretor.

Névoas cósmicas.

Passos através das Sete Regiões Superiores e das Sete Inferiores303. Ergue a

sua Voz para chamar as Centelhas inumeráveis304 e as reúne (c).

(a) Isto quer dizer que os "Sete Primordiais" utilizam Fohat como veículo

(Vâhana, o sujeito manifestado que se torna o símbolo do Poder que dirige). Em

conseqüência, Fohat é chamado o "Mensageiro de sua Vontade", o "Torvelinho de

Fogo".

(b) "Dzyu converte-se em Fohat" — a expressão explica-se por si mesma.

Dzyu é o único Conhecimento Verdadeiro (mágico) ou a Sabedoria Oculta, a qual,

estando em relação com as verdades eternas e com as causas primeiras, se

converte quase em onipotência quando se exerce na boa direção.

Sua antítese é

Dzyu-mi, que diz respeito somente às ilusões e às falsas aparências, como é o caso

de nossas modernas ciências exotéricas.

Ali, Dzyu é a expressão da Sabedoria

coletiva dos Dhyâni-Buddhas.

Porque o leitor talvez nada conheça relativamente aos Dhyâni-Buddhas,

importa esclarecer, desde logo, que, segundo os orientalistas, há cinco Dhyânis, que

são os Buddhas Celestes, cujas manifestações no mundo da forma e da matéria são

os Buddhas humanos.

Esotericamente, porém, os Dhyâni-Buddhas são sete, dos

quais apenas cinco se manifestaram até o presente305, devendo vir os outros dois

nas Raças-Raízes Sexta e Sétima.

São eles, por assim dizer, os eternos protótipos

dos Buddhas que aparecem sobre a terra, cada um dos quais possui o seu divino

protótipo particular.

Assim, por exemplo, Amitâbha é o Dhyâni-Buddha de Gautama

Shakya-muni, por meio do qual se manifesta sempre que esta grande Alma se

O Mundo que vai ser.

Os Átomos.

Veja-se Esoteric Buddhism, de A. P. Sinnett; quinta edição anotada, págs.

171-

encarna na terra, como o fez em Tsong-kha-pa306. Como síntese dos sete Dhyâni-

Buddhas, Avalokiteshvara foi o primeiro Buddha (o Logos), e Amitâbha é o "Deus"

interno de Gautama, que na China é chamado Amida (Buddha). Eles são, como

muito bem diz o Professor Rhys Davids, as "gloriosas contrapartidas no mundo

místico, livres das condições depressivas desta vida material", de cada Buddha

terreno e mortal — os Mânushi-Buddhas que foram libertados e designados para

governar a Terra durante esta Ronda.

São os "Buddhas de Contemplação", todos

Anupâ-daka (sem pai), isto é, nascidos de si mesmos da essência divina.

O

ensinamento exotérico de que cada Dhyâni-Buddha possui a faculdade de criar de si

mesmo um filho igualmente celeste, um Dhyâni-Bodhisattva, que após a morte do

Mânushi-Buddha deve continuar a obra deste último, apóia-se no fato de que a mais

elevada Iniciação conferida por um representante do "Espírito de Buddha" (de quem

dizem os orientalistas que foi o criador dos cinco Dhyâni-Buddhas!) converte o

candidato virtualmente em um Bodhisattva, graças ao poder do Grande Iniciador.

(c) Sendo Fohat uma das mais importantes figuras, senão a mais, da

cosmogonia esotérica, deve ser minuciosamente descrito.

Assim como na

cosmogonia grega arcaica, que difere muito da que veio depois, Eros é a terceira

pessoa da trindade primitiva, Caos — Gaea — Eros — a qual corresponde à

Trindade cabalística: Ain Suph, o Todo sem limites (pois Caos é o Espaço, de χαινω,

abrir por completo, estar vazio), Shekinah e o Ancião dos Dias, ou Espírito Santo —,

do mesmo modo Fohat é uma coisa no Universo ainda não manifestado, e outra

coisa no Mundo fenomenal e cósmico.

Neste último, ele é aquele poder oculto,

elétrico e vital, que, sob a Vontade do Logos Criador, une e relaciona todas as   O primeiro e maior Reformador tibetano, que fundou a seita dos "Gorros Amarelos" (Gelupkas). Nasceu no distrito de Amdo, no ano 1355 de nossa era, e foi o Avatar de Amitâbha, nome celeste de Gautama Buddha.

formas, dando-lhes o primeiro impulso, que com o tempo se converte em lei.

Mas no

Universo Não Manifestado Fohat não é isso, como Eros não é o brilhante Cupido

alado posterior, ou o Amor.

Fohat ainda nada tem a ver com o Cosmos, porque o

Cosmos não é nascido e os Deuses dormem ainda no seio do Pai-Mãe.

É uma idéia

filosófica abstrata; não produziu ainda nada por si mesmo, é simplesmente o poder

criador potencial, em virtude de cuja ação o Númeno de todos os fenômenos futuros

se divide, por assim dizer, para reintegrar-se em um ato místico supra-sensível e

emitir o Raio criador.

Quando o "Filho Divino" exsurge, Fohat passa então a ser a

força propulsora, o Poder ativo, que é a causa de o Um converter-se em Dois e em

Três (no plano cósmico da manifestação). O tríplice Um se diferencia nos Muitos, e

Fohat se transforma na força que reúne os átomos elementais e faz com que se

aglutinem e se combinem entre si. Vemos um eco destes antiqüíssimos

ensinamentos na mitologia grega primitiva.

Erebos e Nux nascem de Caos, e, sob a

ação de Eros, dão, por sua vez, nascimento a   Æther e a Hemera, a luz da região superior e a da região inferior ou terrestre.

Às Trevas engendram a Luz.

Compare-se

isto com a Vontade ou o "Desejo" de criar de Brahmâ, nos Purânas; e, na

cosmogonia fenícia de Sanchoniathon, com a doutrina de que o desejo, πστοζ, é o

princípio da criação.

Fohat está intimamente associado com a "Vida Una". Do Um

desconhecido, a Totalidade Infinita, emana o Um manifestado ou a Divindade

Manvantárica periódica; e esta é a Mente Universal, que, separada de sua Fonte-

Origem, é o Demiurgo ou Logos Criador dos cabalistas ocidentais, e o Brahmâ de

quatro fases da religião hindu.

Em sua totalidade, e se o considerarmos do ponto de

vista esotérico como o Pensamento Divino manifestado, ele representa os Exércitos

dos mais elevados Dhyân Choans Criadores.

Simultaneamente com a evolução da

Mente Universal, a Sabedoria oculta de Adi-Buddha — o Supremo e Eterno — se

manifesta como Avalokiteshvara (ou Ishvara manifestado), que é o Osíris dos

egípcios, o Ahura-Mazda dos zoroastrianos, o Homem Celeste dos filósofos

herméticos, o Logo dos platônicos e o Âtman dos vedantinos307. Pela ação da

Sabedoria Manifestada, ou Mahat — representada por estes inumeráveis centros de

energia espiritual no Cosmos —, o Reflexo da Mente Universal, que é a Ideação

Cósmica e a Força Intelectual que acompanha esta Ideação, se converte

objetivamente no Fohat do Filósofo budista esotérico.

Fohat, correndo ao longo dos

sete princípios do Âkâsha, atua sobre a substância manifestada, ou o Elemento

Único, como dissemos anteriormente, e, diferenciando-o em vários centros de

energia, põe em movimento a lei de Evolução Cósmica, que, em obediência à

Ideação da Mente Universal, produz todos os diversos estados do Ser, no Sistema

Solar manifestado.

O Sistema Solar, trazido à existência por esses agentes, está constituído

por Sete Princípios, como tudo o que faz parte daqueles centros.

Tal é o

ensinamento do Esoterismo transhimalaico.

Cada filosofia, no entanto, tem o seu

sistema de classificar ou dividir os aludidos princípios.

Fohat é, portanto, a personificação do poder elétrico vital, a unidade

transcendente que enlaça todas as energias cósmicas, assim nos planos invisíveis

como nos manifestados; sua ação Se parece — numa imensa escala — à de uma

Força viva criada pela Vontade, naqueles fenômenos em que o aparentemente

subjetivo atua sobre o aparentemente objetivo e o põe em movimento.

Fohat não é

só o símbolo vivo e o Receptáculo daquela Força, mas também os ocultistas o

consideram como uma Entidade, que opera sobre as forças cósmicas, humanas e

S. Subba Row, ao que parece, o identifica com o Logos, dando-lhe este nome.

Veja-se o seu artigo Lectures on the Bhagavad Gitâ, em The Theosophist, vol.

IX; e também The Philosophy of the Bhagavad Gitâ, 3ª edição, Adyar, 1931.

terrestres, e exerce sua influência em todos esses planos.

No plano terrestre, a

influência se faz sentir na força magnética e ativa produzida pela vontade enérgica

do magnetizador.

No plano cósmico, está presente no poder construtor que, na

formação das coisas — do sistema planetário ao pirilampo e à singela margarida —,

executa o plano que se acha na mente da Natureza ou no Pensamento Divino, com

referência à evolução e crescimento de tudo o que existe.

Metafisicamente, é o

pensamento objetivado dos Deuses, o "Verbo feito carne" numa escala menor, e o

mensageiro da Ideação cósmica e humana; a força ativa na Vida Universal.

Em seu

aspecto secundário, Fohat é a Energia Solar, o fluido elétrico vital e o Quarto

Princípio, o Princípio de conservação, a Alma Animal da Natureza, por assim dizer,

ou a Eletricidade.

Em 1882, o Presidente da Sociedade Teosófica, Coronel Olcott, foi

criticado por sustentar em uma de suas conferências que a Eletricidade é matéria.

É,

no entanto, o que ensina a Doutrina Oculta.

Podem-se dar à Eletricidade os nomes

mais cômodos de "Força" ou "Energia", enquanto a ciência européia não souber algo

mais a seu respeito; mas na realidade outra coisa não é senão matéria, tal como o

Éter, por ser também atômica, a despeito de vários graus a distanciarem deste

último.

Parece ridículo pretender que uma coisa, por ser imponderável para a

ciência, não possa ter o nome de matéria.

A Eletricidade é "imaterial" no sentido de

que as suas moléculas não são suscetíveis de percepção ou de experiência; sem

embargo, pode ser atômica (e os ocultistas o afirmam), sendo, portanto, matéria.

Conceda-se, porém, que seja anticientífico tratá-la em termos semelhantes; uma vez

que a ciência a considera como fonte de Energia, ou simplesmente a chama Força e

Energia, como é possível pensar em Força ou Energia sem lhe acrescentar a idéia

de Matéria?

O matemático Maxwell, uma das maiores autoridades em assuntos de

eletricidade e fenômenos elétricos, disse há alguns anos que a eletricidade é

matéria, e não simplesmente movimento.

"Se aceitarmos a hipótese de que as

substâncias elementares são compostas de átomos, não poderemos evitar a

conclusão de que a Eletricidade, positiva ou negativa, se divida também em

partículas elementares definidas, que se comportam como átomos elétricos308”. Nós

vamos ainda mais longe, e sustentamos que a Eletricidade não só é Substância mas

a emanação de uma Entidade, que não é nem Deus nem o Diabo, mas uma

daquelas inúmeras Entidades que regem e dirigem o nosso mundo, de acordo com a

eterna lei do Carma.

Voltemos a Fohat.

Na Índia, é ele associado a Vishnu e Surya, no caráter

primitivo atribuído ao primeiro destes deuses; pois no Rig Veda Vishnu não é um

Deus de categoria superior.

O nome de Vishnu procede da raiz vish, "penetrar", e

Fohat é chamado "Aquele que penetra" e o Fabricante, porque dá forma aos átomos

oriundos da matéria informe309. Nos textos sagrados do Rig Veda, é também Vishnu

"uma manifestação da Energia Solar", sendo descrito como "dando três passos

através das Sete regiões do Universo"; mas este Deus védico tem muito pouco de

comum com o Vishnu dos tempos ulteriores.

Os dois (Fohat e Vishnu) são, portanto,

idênticos neste sentido particular, sendo um a cópia do outro.

Os Três e os Sete "Passos" referem-se às sete esferas habitadas pelo

homem, segundo a Doutrina Esotérica, assim como às sete regiões da Terra.

Apesar

das freqüentes objeções dos pseudo-orientalistas, as escrituras exotéricas hindus

aludem claramente aos Sete Mundos ou Esferas de nossa Cadeia Planetária.

É

surpreendente que todos esses números se achem associados a números idênticos

Faraday Lectures, 1881, Helmholtz     É sabido que a areia, quando colocada numa placa metálica em vibração, assume uma série de figuras regulares e curvas de várias formas.

Pode a Ciência dar uma explicação completa desse fato?

em outras cosmogonias e seus símbolos, como se pode ver pelo estudo comparado

e paralelo das velhas religiões.

Os "três passos de Vishnu" através das "sete regiões

do Universo", no Rig Veda, foram explicados de várias maneiras pelos

comentadores, ora como significando cosmicamente o fogo, o raio e o sol, ora como

tendo sido dados na terra, na atmosfera e no céu; entendendo outros que eram os

"três passos do Anão" (encarnação de Vishnu); muito embora Aurna-vâbha

houvesse dito em termos mais filosóficos, e corretos do ponto de vista astronômico,

que significavam as diversas posições do sol: orto, zênite e ocaso.

Só a Filosofia

Esotérica oferece a explicação clara, se bem que o Zohar o exponha de modo bem

filosófico e compreensível.

Neste último se lê, efetivamente, que no princípio os

Elohim (Alhim) eram chamados Echad, "Um", ou a "Divindade, Um em Muitos", idéia

bem simples como concepção panteísta (panteísta, é claro, no seu sentido

filosófico). Em seguida veio a transformação: "Jehovah é Elohim", unificando assim a

multiplicidade e dando o primeiro passo para o monoteísmo.

Surge a questão:

"Como Jehovah é Elohim?" E a resposta é: "Por Três Passos." A significação é

clara.

Os Passos são símbolos e emblemas, mútuos e correlativos, do Espírito, da

Alma e do Corpo (Homem); do Círculo transformado em Espírito, da Alma do Mundo,

e de seu Corpo (a Terra). Saindo do Círculo Infinito, que nenhum homem

compreende, Ain Suph, sinônimo cabalístico de Parabrahman, do Zeroâna Akerne

dos masdeístas, ou de qualquer outro "Incognoscível", converte-se em "UM" (o

Echad, o Eka, o Ahu); então ele (ou aquilo) se transforma pela evolução no "Um em

Muitos", os Dhyâni-Buddhas ou Elohim, ou ainda os Amshaspends, dando seu

terceiro passo na geração da carne (ou o Homem). E do Homem ou Jah-Hovah,

“(macho-fêmea”), a entidade interna ou divina se converte, no plano metafísico, outra

vez nos Elohim.

Os números 3, 5 e 7 são preeminentes na maçonaria especulativa,

conforme já mostramos em Ísis sem Véu.

Diz um mação:

"Há 3, 5 e 7 passos para indicar um passeio circular.

As três faces de 3, 3; 5, 3; e 7, 3 etc.

Algumas vezes vem desta

forma: 753/2 = 376.5, e 7635/2 = 3817.5; a razão de

20612/6561 pés por côvado dá as medidas da Grande

Pirâmide etc."

Três, cinco e sete são números místicos; o último e o primeiro são

sobremaneira venerados tanto pelos maçons como pelos parses, e o Triângulo em

toda a parte é um símbolo da Divindade310.                    Há, naturalmente, doutores em

Teologia — Cassel por exemplo — que dizem estar no Zohar a explicação e o

fundamento da Trindade cristã (!). Ora, este dogma tem sua verdadeira origem no

Triângulo          do Ocultismo e da Simbologia arcaica dos pagãos.

Os Três Passos se

referem, metafisicamente, à descida do Espírito na Matéria, ou à queda do Logos,

como um resplendor, primeiro no espírito, depois na alma, e por último na forma

física do homem, na qual se converte em Vida.

A idéia cabalística é idêntica à do Esoterismo do período arcaico.

Esse

Esoterismo é propriedade comum de todos: não pertence nem à Quinta Raça ariana,

nem a nenhuma de suas numerosas sub-raças.

Não pode ser reivindicada pelos

chamados turanianos, nem pelos egípcios, chineses ou caldeus, nem por alguma

das sete divisões da Quinta Raça-Raiz, pertencendo antes às Raças-Raízes

Veja-se The Masonic Cyclopaedia, de Mackenzie, e The Pythagorean Triangle, de Oliver.

Terceira e Quarta, cujos descendentes se encontram na origem da Quinta: os

primitivos ários.

Em todas as nações o Círculo era o símbolo do Desconhecido — o

"Espaço Sem Limites", o aspecto abstrato de uma abstração sempre presente —, a

Divindade Incognoscível.

Ele representa o Tempo sem limites na Eternidade.

O Zeroâna Akerne é também o "Círculo sem limites do Tempo

desconhecido"; deste Círculo brota a Luz radiante, o Sol Universal ou Ormuzd311,

sendo o último idêntico a Cronos em sua forma eólia, a de um círculo.

Porque o

Círculo é Sar e Saros, ou Ciclo.

Era o Deus babilônico, cujo horizonte circular era o

símbolo visível do invisível, ao passo que o Sol era o Círculo Uno, de onde

procediam os Orbes cósmicos, dos quais era considerado o chefe.

Zeroâna é o

Chakra ou Círculo de Vishnu, o emblema misterioso que, conforme a definição de

um místico, é "uma curva de natureza tal que uma de suas partes, por menor que

seja, sendo prolongada indefinidamente em qualquer sentido voltaria finalmente a

entrar em si mesma, formando uma só e mesma curva ou o que chamamos um

círculo". Não se pode dar melhor definição do símbolo próprio e da natureza

evidente da Divindade, a qual, tendo a sua circunferência em toda a parte (o

ilimitado), tem, conseqüentemente, o seu ponto central também em toda a parte; ou,

por outras palavras, se encontra em cada ponto do Universo.

A Divindade invisível é,

assim, também os Dhyân Chohâns ou os Rishis, os sete primitivos, os nove, sem a

unidade sintética, e os dez, incluindo esta última, daqui passando ao Homem.

Voltando ao comentário 4º da Estância IV, compreenderá o leitor agora

por que, enquanto o Chakra trans-himalaico contém inscritos        |   |       — ou

seja, o triângulo, a primeira linha, o quadrado, a segunda linha e o pentágono

Ormuzd é o Logos, o "Primogênito", e o Sol.

(estrela de cinco pontas) com um ponto no centro, ou alguma variante —, o Círculo

cabalístico dos Elohim revela, quando as letras da palavra                           (Alhim ou

Elohim)     são     lidas    numericamente,         os     famosos    números     13514     ou,

anagramaticamente, 31415, o π astronômico ou o significado oculto dos Dhyâni-

Buddhas, dos Gebers, dos Giburim, dos Cabiros e dos Elohim, todos significando

"Grandes Homens", "Titãs", "Homens Celestes" e, na terra, "Gigantes".

O Sete era um Número Sagrado em todas as nações; mas nenhuma lhe

deu uso tão fisiológico e materialista quanto os hebreus.

Para estes, o 7 era por

excelência o número gerador, e o 9 o número masculino, o da causa, formando,

segundo fazem ver os cabalistas, o "otz"                 (90, 70312), ou a "Árvore do Jardim do

Éden", a "dupla vara hermafrodita" da Quarta Raça.

Era o símbolo do Sanctum

Sanctorum, o 3 e o 4 da separação sexual.

Quase todas as 22 letras do alfabeto

hebraico são símbolos fálicos.

Das duas letras acima, o ayin é um signo feminino

negativo, simbolicamente um olho; a outra, uma letra masculina, tzâ, um anzol ou

dardo para peixes.

Mas para os hindus e os arianos em geral o significado era

múltiplo e se referia quase totalmente às verdades puramente metafísicas e

astronômicas.

Seus Rishis e Deuses, seus Demônios e Heróis possuem significados

históricos e éticos.

Entretanto, vemos que um cabalista, comparando a Cabala e o Zohar com

o Esoterismo ariano, em obra ainda inédita, declara o seguinte:

"O sistema hebreu, claro, breve, acabado e preciso,

sobrepuja em muito a emaranhada fraseologia dos hindus —

Os números estão invertidos.

O correto seria     (90 - tsade) e    (70 - kwain). Resolvi não alterar o texto original de HPB.

(Sandra).

como aquilo do salmista para exprimir idéia semelhante: 'Minha

boca fala com a minha língua, não conheço os teus números'

(LXXI, 15)... O emblema hindu, pela insuficiência que revela em

sua estranha mistura de aspectos diversos, mostra haver

copiado muita coisa de outras línguas, tal como o fizeram os

gregos (os gregos embusteiros) e a maçonaria; o que, mesmo

na   rude    pobreza   monossilábica   (aparente)   do   hebreu,

evidencia que este último veio de uma antigüidade muito mais

remota do que qualquer uma daquelas línguas, das quais deve

ter sido a fonte (! ?) ou estará, pelo menos, mais próximo da

fonte original."

Está completamente errado.

Pelo visto, o nosso ilustre confrade e

correspondente julga os sistemas religiosos hindus por seus Shâstras e Purânas,

provavelmente pelos últimos e, sobretudo, pelas traduções modernas dos

orientalistas, em que os textos foram desfigurados ao ponto de ficarem quase

irreconhecíveis.

É aos seus sistemas filosóficos, e principalmente aos seus

ensinamentos esotéricos, que devemos recorrer, se queremos estabelecer uma

comparação.

Não há dúvida que a simbologia do Pentateuco e a do Novo Testamento

procedem de uma origem comum.

Mas certamente que a pirâmide de Queops, cujas

dimensões o Professor Piazzi Smyth descobriu haverem sido todas reproduzidas no

pretendido e mítico Templo de Salomão, não é de data posterior à dos livros

mosaicos.

Por conseguinte, se existe tanta identidade como se quer fazer acreditar,

a imitação servil deve ser imputada aos judeus, e não aos egípcios.

Os emblemas

judeus — e até mesmo a língua hebraica — não são originais.

Foram tomados aos

egípcios, de quem Moisés adquiriu a sua sabedoria; dos Coptos, parentes prováveis,

senão antepassados, dos antigos Fenícios e dos Hicsos, que Joseph pretende

sejam os antepassados dos povos egípcios313. Sim; mas quem são os pastores

Hicsos? E quem os Egípcios? A história nada sabe, e as especulações e teorias se

sucedem a esse respeito, segundo o gosto e as inclinações dos historiadores314. "O

Khamismo, ou antigo copto, procede da Ásia Ocidental e contém algum germe do

semítico, testemunhando assim a unidade primitiva de parentesco das raças arianas

e semíticas", diz Bun-sen, que situa os grandes acontecimentos do Egito em 9.

anos antes de nossa era.

A verdade é que no esoterismo arcaico e no pensamento

ariano nós encontramos uma grande filosofia, ao passo que nos anais hebreus não

vemos senão um surpreendente engenho para inventar apoteoses ao culto fálico e à

teogonia sexual.

Que os Arianos jamais fizeram basear sua religião unicamente em

símbolos fisiológicos, como os antigos Hebreus, pode evidenciar-se das escrituras

exotéricas hindus.

É igualmente certo que os textos hindus foram escritos de

maneira velada, conforme o demonstram as suas contradições, existindo uma

explicação diferente em quase cada um dos Purânas ou dos poemas épicos.

Lidos,

porém, à luz do esoterismo, o sentido é o mesmo em todos eles.

Por exemplo, em

certa narrativa se enumeram sete mundos, excluindo os mundos inferiores, que são

também sete; estes quatorze mundos superiores e inferiores nada têm a ver com a

classificação da Cadeia Setenária, e pertencem aos mundos puramente etéreos e

invisíveis.

Sobre eles diremos mais tarde.

Basta mostrar, no momento, que a alusão

é feita intencionalmente como se pertencessem à Cadeia.

"Outra enumeração dá

Contra Apion, I, 25.       Veja-se Ísis sem Véu, II, 430, 438.

aos sete mundos os nomes de terra, firmamento, céu, região intermediária, lugar de

nascimento, mansão de bem-aventurança e habitação da verdade, colocando os

Filhos de Brahmâ na sexta divisão e declarando que a quinta, Jana-loka, é aquela

onde renascem os animais destruídos na conflagração geral315”.

Nos capítulos seguintes sobre Simbolismo apresentaremos alguns

ensinamentos       realmente esotéricos.

Aqueles   que   se acharem   preparados

compreender-lhes-ão o significado oculto.

3. Ele é o seu condutor, o espírito que as guia.

Ao iniciar a sua obra,

separa as Centelhas do Reino Inferior316, que se agitam e vibram de alegria em

suas radiantes moradas317, e com elas forma os Germes das Rodas.

Colocando-as nas Seis Direções do Espaço, deixa uma no Centro: a Roda

Central.

"Rodas", como já explicamos, são os centros de força em torno dos quais

se expande a matéria cósmica primordial, que, passando por todos os seis graus de

consolidação, se torna esferoidal e termina por se transformar em globos ou esferas.

Um dos princípios fundamentais da cosmogonia esotérica é que, durante os Kalpas

(ou Evos) de Vida, o Movimento — que nos períodos de Repouso "pulsa e vibra

através de cada átomo adormecido" — adquire uma tendência para o movimento

circular, que vai sempre crescendo, desde o despertar do Cosmos até um novo

"Dia". "A Divindade se converte em um Torvelinho."

Pode-se fazer esta pergunta, que também ocorreu à autora: Quem pode

averiguar a diferenciação daquele Movimento, se toda a Natureza se acha reduzida

à sua essência primeira, não havendo ali ninguém para observá-la, nem sequer um

Veja-se Hindu Classical Dictionary de Dowson.

Os átomos minerais.

As nuvens gasosas.

dos Dhyân Chohans, então todos em Nirvana?                  Eis aqui a resposta: "Na Natureza,

tudo deve ser julgado por analogia.

Embora as Divindades mais elevadas (Arcanjos

ou Dhyâni-Buddhas) sejam incapazes de penetrar os mistérios que se passam a

distâncias incomensuráveis do nosso Sistema Planetário e do Cosmos visível,

existiram, contudo, naqueles tempos antigos, grandes videntes e profetas que

puderam perceber o mistério do               Sopro e do Movimento,             retrospectivamente,

quando os sistemas de Mundos permaneciam em repouso e mergulhados em seu

sono periódico."

As Rodas são também chamadas Rotas (as Rodas em movimento dos

orbes celestes que tomam parte na criação do mundo), quando a significação em

vista se refere ao princípio animador das estrelas e dos planetas; porque na Cabala

são elas representadas pelos Auphanim, os Anjos das Esferas e das Estrelas, de

que são as Almas animadoras318.

A lei do movimento rotatório na matéria primordial é uma das mais antigas

concepções da filosofia grega, cujos primeiros sábios históricos eram quase todos

Iniciados nos Mistérios.

Os Gregos a deviam aos Egípcios, e estes aos Caldeus, que

por sua vez foram discípulos dos brâmanes da Escola Esotérica.

Leucipo e

Demócrito de Adbera — o discípulo dos Magos — ensinaram que o movimento

giratório dos átomos e das esferas existiu desde a eternidade319. Hicetas,

Heráclides, Ecfanto, Pitágoras e todos os seus discípulos ensinaram a rotação da

Veja-se Kabbalah Denudata, "De Anima", página 113.      "A doutrina da rotação da terra sobre um eixo foi ensinada por Hicetas, o Pitagórico, provavelmente 500 anos antes de nossa era.

Também o foi por seu discípulo Ecfanto e por Heráclides, discípulo de Platão.

A imobilidade do Sol e a revolução da terra sobre uma órbita foram expostas por Aristarco de Samos em 381 A.C., como suposições conformes aos fatos observados.

A teoria heliocêntrica foi igualmente ensinada, cerca de 150 anos antes de nossa era, por Seleuco de Selêucia, às margens do Tigre." (Pitágoras a ensinava 500 anos antes de nossa era.

— H. P. B.) "Diz-se também que Arquimedes falava da teoria heliocêntrica em uma obra intitulada Psammites.

A forma esférica da terra foi claramente ensinada por Aristóteles, que apresentava como prova o contorno da sombra projetada pela terra sobre a lua, durante os eclipses.

(Aristóteles, De Coelo, livro II, cap.

XIV). Plínio defendeu a mesma idéia (Histeria Natural, II, 65). Essas opiniões parece que ficaram perdidas para o conhecimento humano por mais de mil anos..." (Winchell, World-Life, 551-2).

terra; e Ariabhata da Índia, Aristarco, Seleuco e Arquimedes calcularam sua

revolução tão cientificamente como o fazem hoje os astrônomos; e a teoria dos

vórtices Elementais era conhecida de Anaxágoras, que a sustentava 500 anos antes

de nossa era, isto é, quase 2.000 anos antes que fosse admitida por Galileu,

Descartes, Swedenborg e, finalmente, com ligeiras modificações, por Sir W.

Thomson320. Todas essas noções, se queremos ser justos, são ecos da doutrina

arcaica, que ora pretendemos expor.

Como puderam homens de ciência destes últimos séculos chegar às

mesmas idéias e conclusões já ensinadas como verdades axiomáticas no recesso

dos Adyta há várias dúzias de milênios? É questão de que nos ocuparemos à parte.

Alguns foram a elas conduzidos pelo natural progresso da ciência física e por meio

da observação independente; outros, como Copérnico, Swedenborg e alguns

poucos mais, sem embargo de seus grandes conhecimentos, deveram o saber muito

mais à sua intuição do que aos seus esforços diretos e pessoais através dos

processos normais de estudo.

Swedenborg, que não teve oportunidade de conhecer as idéias esotéricas

do Budismo, chegou por si só, em suas concepções gerais, muito perto do

ensinamento oculto, do que é prova o seu ensaio sobre a Teoria dos Vórtices.

Na

tradução de Clissold, citada pelo Professor Winchell321, deparamos o seguinte

resumo:

"A causa primeira é o infinito ou ilimitado.

Ela

confere existência ao primeiro finito ou limitado." [O Logos em

sua manifestação e o Universo.] "O que produz um limite é

On Vortex Atoms.

Op.cit.,567.

análogo ao movimento." [Veja-se Estância I supra.] "O limite

produzido é um ponto, cuja essência é o movimento; mas,

carecendo de partes, esta essência não é movimento efetivo,

senão o seu connatus simplesmente." [Em nossa Doutrina não

é um connatus, mas uma transformação do que é Vibração

Eterna no Não-Manifestado, do Movimento em vórtices no

Mundo      fenomenal    ou    manifestado.]      "Daquele   princípio

procedem a expansão, o espaço, a forma e a sucessão ou

tempo.

Assim como em geometria um ponto gera uma linha,

uma linha gera uma superfície, e a superfície um sólido, assim

também o connatus do ponto tende para linhas, superfícies e

sólidos.

Em outras palavras, o Universo está contido in ovo no

primeiro ponto natural.

O Movimento para o qual tende o connatus é

circular, pois o círculo é a mais perfeita de todas as figuras... O

mais perfeito gênero de movimento deve ser o movimento

circular perpétuo; isto é, um movimento provindo do centro para

a periferia, e da periferia para o centro322".

Tudo isso é pura e simplesmente Ocultismo.

As "Seis direções do Espaço" significam aqui o "Duplo Triângulo", e união

e fusão do Espírito puro e da Matéria, do Arûpa e do Rûpa, de que os Triângulos são

um Símbolo.

O Duplo Triângulo é um símbolo de Vishnu; é o Selo de Salomão e o

Shrî-Antara dos brâmanes.

Extraído de Principia Rerum Naturalium.

4. Fohat traça linhas espirais para unir a Sexta à Sétima — a Coroa

(a). Um Exército dos Filhos da Luz situa-se em cada um dos ângulos; os Lipika

ficam na Roda Central (b). Dizem eles323: "Isto é bom." O primeiro Mundo

Divino está pronto; o Primeiro, o Segundo324. Então o "Divino Arûpa325 se

reflete no Chhâyâ Loka326, a Primeira Veste de Anupâdaka (c).

(a) Este traçado de "linhas espirais" se refere tanto à evolução dos

Princípios do Homem como à evolução dos Princípios da Natureza; evolução que se

processa gradualmente, como sucede com todas as coisas na Natureza.

O Sexto Princípio do Homem (Buddhi, a Alma Divina), sendo embora um

simples sopro em nossas concepções, representa, contudo, algo material quando

comparado com o Espírito Divino (Âtmâ), do qual é mensageiro e veículo.

Fohat, em sua qualidade de Amor Divino (Eros), o poder elétrico de

afinidade e simpatia, figura alegoricamente como buscando unir o Espírito puro, o

Raio inseparável do Um Absoluto, com a Alma, constituindo os dois a Mônada no

Homem, e na Natureza o primeiro elo entre o sempre incondicionado e o

manifestado.

"O Primeiro é agora o Segundo (Mundo)" — dos Lipika: esta frase

encerra a mesma idéia.

(b) O "Exército" em cada ângulo é a Legião de Seres Angélicos (Dhyân-

Chohans), designados para guiar cada região e velar por ela, desde o princípio até o

fim do Manvantara.

São os "Vigilantes Místicos" dos cabalistas cristãos e dos

Os Lipika.

Isto é: o Primeiro é agora o Segundo Mundo.

O Universo sem forma do Pensamento.

O Mundo de Sombras da Forma Primitiva, ou o Mundo Intelectual.

alquimistas, e estão relacionados simbolicamente, como também astronomicamente,

com o sistema numérico do Universo.

Os números a que se acham associados estes

Seres celestes são sumamente difíceis de explicar, pois cada número é comparável

a diversos grupos de idéias distintas, conforme o grupo particular de Anjos que se

pretende representar.

É aí que está o nodus do estudo do simbolismo, em relação

ao qual tantos sábios, incapazes de desatá-lo, preferiram fazer como Alexandre ao

nó górdio; dando como resultado direto tantos conceitos e ensinamentos errôneos.

(c) O "Primeiro é o Segundo", porque o Primeiro não pode ser classificado

ou considerado como tal, já que este é o reino do número em sua manifestação

primária: o umbral do Mundo da Verdade ou Sat, através do qual a energia direta,

que se irradia da Realidade Una (a Divindade Sem Nome), vem até nós.

Ainda aqui

é possível que o termo intraduzível Sat (a Seidade) dê lugar novamente a uma

concepção errônea, pois o que é manifestado não pode ser Sat, mas algo

fenomenal, não eterno, e em verdade nem mesmo sempiterno.

É coevo e

coexistente com a Vida Una, "Sem Segundo"; mas, como manifestação, é ainda

Mâyâ, tal qual o resto.

Este "Mundo da Verdade", segundo o Comentário, não pode

ser descrito senão como "uma estrela resplandecente, que se desprende do

Coração da Eternidade: o farol da esperança, de cujos Sete Raios pendem os

Sete Mundos do Ser". Verdadeiramente é assim, uma vez que são as Sete Luzes

cujos reflexos constituem as imortais Mônadas humanas, o Âtmâ, ou o Espírito

radiante de toda criatura pertencente à família humana.

Primeiro essa Luz Setenária; depois o "Mundo Divino" — as inumeráveis

luzes acesas na Luz primordial — os Buddhis, ou Almas Divinas sem forma, do

último Mundo Arûpa (sem forma); a "Soma Total" na linguagem misteriosa da velha

Estância.

No Catecismo, assim pergunta o Mestre ao discípulo:

"Levanta a cabeça, ó Lanu! Vês uma luz ou luzes

inumeráveis por cima de ti, brilhando no céu negro da meia-

noite?

"Eu percebo uma chama, ó Gurudeva! Vejo milhares

de centelhas não destacadas, que nela brilham.

"Dizes bem.

E agora observa em torno de ti, e dentro

de ti mesmo.

Essa luz que arde no teu interior, porventura a

sentes de alguma maneira diferente da luz que brilha em teus

irmãos humanos?

"Não é de modo algum diferente, embora o

prisioneiro continue seguro pelo Carma e as suas vestes

externas enganem os ignorantes, induzindo-os a dizer: Tua

Alma e Minha Alma."

A lei fundamental da Ciência Oculta é a unidade radical da essência

última de cada parte constitutiva dos elementos compostos da Natureza, desde a

estrela ao átomo mineral, desde o mais elevado Dhyân Chohan ao mais humilde dos

infusórios, na completa acepção da palavra, quer se aplique ao mundo espiritual,

quer ao intelectual ou ao físico.

"A Divindade é um ilimitado e infinito expandir-se" —

diz um axioma oculto —, e daí é que vem o nome de Brahmâ, conforme já tivemos

ocasião de assinalar327.

Há uma profunda filosofia no culto mais primitivo do mundo: o do Sol e do

Fogo.

De todos os elementos conhecidos da ciência física, o Fogo é o que até agora

mais tem escapado a uma análise definida.

Do ar se afirma com segurança que é

uma mistura de oxigênio e azoto.

Consideramos o Universo e a Terra como matéria

constituída de moléculas químicas definidas.

Falamos das dez terras primitivas

dando a cada uma delas um nome grego ou latino.

Dizemos que a água é,

quimicamente, um composto de oxigênio e hidrogênio.

Mas que é o Fogo? É o efeito

da combustão, respondem-nos com toda a seriedade.

É calor, luz e movimento, e

uma correlação de forças físicas e químicas em geral.

Esta definição científica é

filosoficamente complementada pela teológica do Dicionário de Webster, que explica

o fogo como "o instrumento do castigo ou a punição do impenitente em outro

estado"; o "estado" — seja dito de passagem — supõe-se que é o espiritual; mas,

oh! a presença do fogo corresponderia a uma prova convincente de sua natureza

material.

Entretanto, referindo-se à ilusão em que incidimos ao encarar os

fenômenos como coisas simples por nos serem familiares, eis o que diz o Professor

Bain:

"Os fatos habituais parecem não necessitar de

nenhuma explicação, e servir ao mesmo tempo para explicar

tudo aquilo que lhes possa ser assimilado.

Assim, por exemplo,

o fato da ebulição e evaporação de um líquido parece um

fenômeno bem simples, dispensando qualquer explicação,

No Rig Veda encontramos os nome Brahmanaspati e Brihaspati, que se alternam e são equivalentes um do outro.

Veja-se também Brihadâranyaha Upanishad; Brihaspati é uma divindade conhecida como o "Pai dos Deuses".

mas- que explica de modo satisfatório e suficiente outros

fenômenos mais raros.

Que a água deva evaporar-se é uma

coisa de todo compreensível ao espírito ignorante; ao passo

que, para o homem que conhece a ciência física, o estado

líquido é anômalo e inexplicável.

Acender fogo com uma chama

é uma grande dificuldade científica, embora pouca gente tenha

consciência disso328."

Que diz o ensinamento esotérico a respeito do Fogo? "O Fogo é o reflexo

mais perfeito e não adulterado, assim no Céu como na Terra, da Chama Una.

É a

Vida e a Morte, a origem e o fim de todas as coisas materiais.

É a Substância

divina." Assim é que não só os adoradores do Fogo, os parses, mas até as tribos

errantes e selvagens da América, que se dizem "nascidas do fogo", demonstram

mais ciência em sua fé e mais verdade em suas superstições que todas as

especulações da física e da erudição moderna.

O cristão que proclama "Deus é um

Fogo vivente", e fala das "Línguas de Fogo" do Pentecostes e da "sarça ardente" de

Moisés, é tão adorador do fogo como qualquer "pagão". Dentre os místicos e

cabalistas, os Rosacruzes foram os que definiram mais corretamente o Fogo.

“Tomai    uma   lâmpada   de   custo   insignificante,

alimentai-a de óleo, e podereis acender em sua chama as

lâmpadas, as velas e os fogos do globo inteiro, sem que a

chama diminua”.

Logic, II, 125.

Se a Divindade, o Radical Uno, é uma Substância eterna e infinita, que

jamais se consome ("o Senhor teu Deus é um fogo abrasador329"), não parece

razoável que se tenha como antifilosófico o ensinamento oculto, quando diz: "Assim

foram formados os (Mundos) Arûpa e Rûpa: de uma Luz, sete Luzes; de cada uma

das Sete, sete vezes Sete" etc.

5. Fohat dá cinco passos (a)330, e constrói uma roda alada em cada

um dos ângulos do quadrado para os Quatro Santos... e seus Exércitos (b).

(a) Os "Passos", como já explicamos no último Comentário, se referem

tanto aos Princípios cósmicos como aos humanos; sendo estes últimos, segundo a

divisão exotérica, três (Espírito, Alma e Corpo), e, pela classificação esotérica, sete

Princípios: três Raios da Essência e quatro Aspectos331. Os que tiverem estudado o

Esoteric Buddhism do Sr. Sinnett, poderão facilmente compreender a nomenclatura.

Existem, do outro lado dos Himalaias, duas escolas esotéricas, ou antes, uma escola

dividida em duas seções: uma para os Lanus internos, e outra para os Cheias

externos ou semilaicos; a primeira ensina uma divisão em sete Princípios humanos,

e a outra em seis.

Do ponto de vista cósmico, os "Cinco Passos" de Fohat significam aqui os

cinco planos superiores da Consciência e do Ser; o sexto e o sétimo (contando de

cima para baixo) são o astral e o terrestre, os dois planos inferiores.

Deuteronômio, IV, 24.     Após haver dado os três primeiros.

Os quatro Aspectos são o corpo, a sua vida ou vitalidade e o "duplo" do corpo — a tríade que desaparece com a morte da pessoa — e o Kama-Rûpa, que se desintegra no Kâma-Loka.

(b) Quatro "Rodas Aladas em cada ângulo... para os Quatro Santos e

seus Exércitos (Legiões)". São os "Quatro Mahârajâs" ou grandes Reis, dos Dhyân

Chohans, Devas, que presidem a cada um dos quatro pontos cardeais.

São os

Regentes ou Anjos que governam as Forças Cósmicas do Norte, Sul, Este e Oeste;

Forças que possuem cada qual uma propriedade oculta distinta.

Tais Seres estão

ainda relacionados com o Carma, que requer agentes físicos e materiais para

executarem os seus decretos — como sejam, por exemplo, as quatro classes de

ventos, aos quais a própria ciência reconhece exercerem influências nocivas e

benéficas sobre a saúde dos homens e dos seres vivos em geral.

Encerra uma

filosofia oculta a doutrina católica romana que atribui as diversas calamidades

públicas — epidemias, guerras, etc.

— aos invisíveis "Mensageiros" do Norte e do

Oeste.

"A glória de Deus vem pelo caminho do Oriente", diz Ezequiel332; Jeremias,

Isaías e o Salmista asseguram aos seus leitores que todo o mal existente sob o Sol

procede do Norte e do Oeste — o que, se aplicado à nação judia, soa como inegável

profecia.

E isso também explica a declaração de Santo Ambrósio333 de que aí está

precisamente a razão porque "nós maldizemos o vento Norte e, na cerimônia do

batismo, começamos por nos voltar para o Ocidente (sideral), a fim de melhor

renunciarmos àquele que ali habita: após o que nos viramos para o Oriente".

A crença nos "Quatro Mahârâjas" — os Regentes dos quatro pontos

cardeais — era universal, e ainda é partilhada pelos cristãos, que lhes chamam,

segundo Santo Agostinho, "Virtudes Angélicas" e "Espíritos", quando são eles que

os invocam, e "Diabos" quando a invocação é feita pelos pagãos.

Mas onde a

diferença, neste caso, entre pagãos e cristãos? Escreve o erudito Vossius:

Capítulo III, 4.       Sobre Amos, IV.

"Apesar de Santo Agostinho dizer que todas as

coisas visíveis deste mundo têm como guardião uma virtude

angélica, não se deve entender que ele se refere aos

indivíduos, mas sim às espécies completas das coisas,

possuindo cada espécie o seu anjo particular, que a protege.

Nisso está ele de acordo com todos os filósofos... Para nós,

estes anjos são espíritos separados dos objetos... ao passo

que para os filósofos (pagãos) eram deuses334."

Examinando o Ritual da Igreja Católica Romana no concernente aos

"Espíritos das Estrelas", vemos que estes apresentam um aspecto em que

transparece um certo ar de "deuses". E os antigos povos pagãos não lhes prestavam

mais honras, nem lhes rendiam maior culto, do que o fazem atualmente, em Roma,

cristãos católicos dos mais ilustres.

Secundando Platão, explicava Aristóteles que ao termo στοιχεια se dava

unicamente o significado de — os princípios incorpóreos localizados em cada uma

das quatro grandes divisões do nosso mundo cósmico a fim de velarem sobre elas.

Assim, os pagãos não adoravam nem veneravam os Elementos e os pontos

cardeais (imaginários) mais do que o fazem os cristãos; aos respectivos "deuses",

que os governam, é que eles prestavam o seu culto.

Para a Igreja, há duas espécies de Seres siderais: os Anjos e os

Demônios.

Para o cabalista e o ocultista, existe apenas uma; e não fazem diferença

alguma entre os "Reitores de Luz" e os "Rectores Tenebrarum" ou Cosmocratas,

que a Igreja Romana imagina e descobre nos "Reitores de Luz", quando estes são

Theol.

Cr., I, VIL

chamados por nome diferente do que ela lhes dá. Não é o Reitor ou Mahârâja quem

castiga ou recompensa, com ou sem a permissão ou ordem de Deus, senão o

próprio homem, com suas ações ou o Carma, atraindo individual ou coletivamente

(como por vezes acontece no caso de nações inteiras) toda sorte de males e

calamidades.

Nós     produzimos       Causas,       e   estas    despertam    os    poderes

correspondentes do Mundo Sideral, os quais são magnética e irresistivelmente

atraídos para os que deram lugar a essas causas, e então sobre eles reagem, quer

se trate de pessoas que praticaram o mal ou de simples "pensadores" que

alimentaram subjetivamente ações más.

O pensamento é matéria, diz a ciência

moderna; e Jevons e Babbage, em sua obra Principies of Science, entreviram já que

"toda partícula de matéria constitui um registro de tudo o que se passa". A ciência

moderna         cada     dia    vai    penetrando        mais    no     Malstrom     do    ocultismo;

inconscientemente, sem dúvida, mas de maneira bem acentuada.

"O Pensamento é matéria" — não, é claro, naquele sentido em que o

entende o materialista alemão Moleschott, quando afirmou que "o pensamento é o

movimento da matéria", fórmula cujo absurdo não encontra símile.

Os estados

mentais e os físicos se acham em completa oposição.

Mas isso não influi no fato de

que todo pensamento, além de seu acompanhamento físico (modificação cerebral),

apresenta um aspecto objetivo no plano astral, embora seja uma objetividade supra-

sensível para nós335.

As duas principais teorias da Ciência sobre as relações entre a mente e a

matéria são o Monismo e o Materialismo.

Ambas ocupam inteiramente o campo da

psicologia negativa, com exceção das idéias quase ocultistas das escolas panteístas

alemãs.

Veja-se Sinnett, The Occult World, páginas 89 e 90.

As opiniões dos pensadores científicos de nossos dias a respeito das

relações entre o espírito e a matéria podem reduzir-se às duas hipóteses seguintes,

que excluem, ambas, a possibilidade de uma alma independente, distinta do cérebro

físico, por meio do qual funcione.

Tais hipóteses são:

I — Materialismo, teoria que considera os fenômenos mentais como

produto de uma transformação molecular no cérebro, ou seja, como o resultado de

uma conversão do movimento em sentimento (!). A mais extremada das escolas

chegou até a identificar a mente com "uma forma particular de movimento" (!!); mas,

felizmente, essa opinião é hoje qualificada como absurda pela maior parte dos

homens de ciência.

II — Monismo, ou doutrina da Substância Única.

É a forma mais sutil da

psicologia negativa, sendo chamada "materialismo dissimulado" por um de seus

partidários, o Professor Bain.

Esta doutrina, que se acha muito difundida, conta entre

os seus defensores homens como Lewes, Spencer, Ferrier e outros; ao separar

inteiramente da matéria o pensamento e os fenômenos mentais, considera-os, não

obstante, como as duas faces ou aspectos de uma só e mesma substância, em

determinadas condições.

O pensamento como pensamento, dizem eles, é de todo

diferente dos fenômenos materiais; mas deve também ser olhado como "o aspecto

subjetivo do movimento nervoso", ou o que quer que os nossos sábios pretendam

significar com estas palavras.

Voltemos ao Comentário relativo aos Quatro Mahârâjas.

Segundo Clemente de Alexandria, nos templos egípcios, uma enorme

cortina separava o tabernáculo do lugar reservado aos fiéis.

Também era assim

entre os Judeus.

Em ambos os casos, a cortina se estendia sobre cinco colunas (o

Pentágono), simbolizando os nossos cinco sentidos e, esotericamente, as cinco

Raças-Raízes, enquanto as quatro cores da cortina representavam os quatro pontos

cardeais e os quatro elementos terrestres.

O conjunto era um símbolo alegórico.

É

por meio dos quatro Regentes superiores dos quatro pontos cardeais e dos

elementos que os nossos cinco sentidos podem conhecer as verdades ocultas da

Natureza; não eram, assim, como fazia crer Clemente, os elementos per se que

davam aos pagãos o Conhecimento Divino ou o Conhecimento de Deus336. Ao

passo que o emblema egípcio era espiritual, o dos Judeus era puramente

materialista, limitando-se em verdade a honrar os elementos cegos e "pontos

imaginários". Pois, que significava o Tabernáculo quadrado, erigido no deserto por

Moisés, senão o mesmo fato cósmico? "Farás uma cortina... azul, púrpura e

carmesim.

. . cinco colunas de madeira de Shittin para as colunas . . . quatro anéis

de bronze nos quatro cantos.. . painéis de madeira fina nos quatro lados, Norte, Sul,

Oeste e Leste... do Tabernáculo... com Querubins de primoroso lavor337". O

Tabernáculo e o recinto quadrado, os Querubins e tudo o mais eram exatamente

iguais aos dos templos egípcios.

O formato quadrado do Tabernáculo tinha

precisamente a mesma significação que hoje ainda tem no culto exotérico dos

chineses e dos tibetanos.

Os quatro pontos cardeais correspondiam ao mesmo

sentido dos quatro lados das pirâmides, dos obeliscos e de outras construções

quadrangulares.

Josefo ocupa-se em explicar o assunto.

Diz que as colunas do

Deste modo, a expressão Natura Elementorum obtinet revelationem Dei (em Stromata de Clemente, IV, 6) é aplicável a ambas as coisas ou a nenhuma.

Consulte-se o Zends, vol.

II, pág.

228, e Plutarco, De Iside, comparados por Layard, Académie des Inscriptions, 1854, vol.

XV.     Êxodo, XXVI, XXVII.

Tabernáculo eram idênticas às que foram erguidas em Tiro aos quatro Elementos e

que se achavam sobre pedestais cujos quatro ângulos davam frente para os quatro

pontos cardeais; e acrescenta que "os ângulos dos pedestais tinham as quatro

figuras do Zodíaco", que representavam a mesma orientação338.

Vestígios dessa idéia podem ser encontrados nas criptas zoroastrianas,

nos templos da Índia talhados na rocha e em todas as construções sagradas

quadrangulares da antigüidade que se conservaram até os nossos dias.

Demonstrou-o com muita precisão Layard, ao descobrir os quatro pontos cardeais e

os quatro elementos primitivos nas religiões de todos os povos, sob a forma de

obeliscos quadrados, pirâmides de quatro lados etc.

Os quatro Mahârâjas são os

regentes que governam e dirigem esses elementos e pontos.

Ao leitor que desejar

saber algo mais sobre eles, bastará comparar a visão de Ezequiel (cap.

I) com o que

se vê no Budismo chinês, inclusive em seus ensinamentos exotéricos, e examinar o

aspecto exterior destes "Grandes Reis dos Devas". Segundo a opinião do

Reverendo Joseph Edkins, "eles presidem um a um dos quatro continentes em que

os hindus dividem o mundo... Cada um se acha à frente de um exército de seres

espirituais, que protegem a humanidade e o Budismo339". Ressalvado o favoritismo

em relação ao Budismo, é essa precisamente a missão dos Quatro Seres Celestiais.

Note-se, porém, que os hindus dividem o mundo em sete continentes, tanto

exotérica como esotericamente, e que os seus Devas cósmicos são em número de

oito, presidindo as oito direções do vento, e não aos quatro continentes.

Os "Quatro" são os protetores do gênero humano e também os agentes

do Carma na Terra, enquanto que os Lipika se interessam pela humanidade futura.

Ao mesmo tempo, aqueles são as quatro criaturas viventes "que se assemelham ao

Josefo, Antiquities, I, VIII, cap.

XXII.

Chinese Buddhism, pág.

216.

homem", na visão de Ezequiel, e que os tradutores da Bíblia chamam "Querubins",

"Serafins" etc., e os ocultistas "Globos Alados", "Rodas Flamígeras"; sendo

conhecidos no Panteão hindu sob diversos outros nomes.

Todos esses Gandharvas,

os "Suaves Cantores", os Asuras, os Kinnaras e os Nâgas são descrições alegóricas

dos Quatro Mahârâjas.

Os Serafins são as Serpentes de Fogo do Céu, que vemos

em uma passagem na qual se descreve o Monte Meru como a "exaltada massa de

glória, a venerável mansão favorita dos deuses e dos cantores celestes... até onde

não podem chegar os homens pecadores.

.. porque se acha sob a guarda das

Serpentes". São denominados os Vingadores e as "Rodas Aladas".

Explicando assim o seu caráter e a sua missão, vejamos o que a respeito

dos Querubins dizem os intérpretes cristãos da Bíblia.

"A palavra significa, em

hebreu, a plenitude do conhecimento; chamavam-se assim estes anjos por causa do

conhecimento extraordinário que possuíam, sendo-lhes, por isso, atribuída a tarefa

de punir os homens que se arrogavam o Conhecimento divino" (interpretação de

Cruden, em sua Concordance, sobre o Gênesis, III, 24). Ora, por vaga que seja a

informação, mostra isso que o Querubim colocado à porta do Jardim do Éden após a

"Queda" sugeriu aos veneráveis intérpretes a idéia de que o castigo se relacionava

com a ciência proibida ou Conhecimento divino; conhecimento que geralmente

acarreta outra "Queda", a dos deuses ou de "Deus" na estima do homem.

Mas,

como o bondoso Cruden nada sabia de Carma, deve-se perdoá-lo. A alegoria não

deixa de ser sugestiva.

Do Meru, a mansão dos Deuses, ao Éden, a distância é

muito pequena; e entre as Serpentes hindus e os sete Querubins ofitas, o terceiro

dos quais era o Dragão, a distância é ainda menor: guardavam uns e outros a

entrada do reino do Conhecimento Secreto.

Ezequiel, aliás, descreve claramente

os quatro Anjos Cósmicos:

"Eu contemplava, e então vi um torvelinho.

. . uma.

.

. nuvem e um fogo que a envolvia... e do meio dela saiu a

imagem de quatro criaturas viventes... tinham a aparência de

homens.

E cada um tinha quatro rostos... e também quatro

asas... e o rosto de homem340 e a cara de leão... a cara de boi

e a cara de águia... E quando eu olhava as criaturas viventes,

eis que surgiu uma roda sobre a Terra... para cada um dos

seus quatro rostos... como se fosse uma roda no meio de outra

roda... pois o espírito da criatura vivente estava na roda341."

Há três grupos principais de Construtores, e outros tantos dos Espíritos

Planetários e Lipika, subdividindo-se cada grupo, por sua vez, em sete subgrupos.

E

impossível, mesmo em uma obra tão extensa como esta, entrar no exame minucioso

dos três grupos principais, o que exigiria um volume a mais.

Os Construtores são os representantes das primeiras Entidades "nascidas

da Mente", e, portanto, dos primitivos Rishis-Prajâpatis, e também dos Sete grandes

Deuses do Egito, dos quais o chefe é Osíris, dos Sete Amshaspends dos

zoroastrianos, com Ormuzd à frente, dos "Sete Espíritos da Face", dos Sete

Sephiroth separados da primeira Tríade etc., etc.

A palavra "Homem" foi aqui substituída por "Dragão". Compare-se com os Espíritos ofitas.

Os Anjos reconhecidos pela Igreja Católica Romana, que correspondem a essas "Caras", eram entre os ofitas: o Dragão — Rafael; o Leão — Miguel; o Touro ou Boi — Uriel; e a Águia — Gabriel.

Os quatro Anjos acompanham os quatro Evangelistas, e preludiam os Evangelhos.

Ezequiel, I.      Os judeus, com exceção dos cabalistas, não possuindo nomes para designar o Oriente, o Ocidente, o Sul e o Norte, exprimiam a idéia com palavras que significavam adiante, atrás, à direita, à esquerda, e freqüentes vezes confundiam exotericamente estes termos, tornando assim ainda mais obscuros os véus da Bíblia e mais difícil a sua interpretação.

Acrescente-se o fato de que, entre os quarenta e sete tradutores da Bíblia na Inglaterra, no tempo do Rei Jaime I, "só três compreendiam o hebreu, e dois deles morreram antes de concluída a tradução dos Salmos" (Royal Masonic

Eles constróem, ou melhor, reconstroem cada "Sistema", após a "Noite".

O Segundo Grupo dos Construtores é o Arquiteto de nossa Cadeia Planetária,

exclusivamente; e o Terceiro é o Progenitor de nossa Humanidade, o protótipo

macrocósmico do microcosmo.

Os Espíritos Planetários são os espíritos que animam os Astros em geral

e os Planetas em particular.

Regem os destinos dos homens nascidos sob uma ou

outra de suas constelações.

O Segundo e o Terceiro Grupos, que pertencem a

outros sistemas, desempenham idênticas funções, e todos regem vários

departamentos da Natureza.

No Panteão hindu exotérico, são as divindades

guardiãs que presidem aos oito rumos da bússola (os quatro pontos cardeais e os

quatro intermediários), e são chamadas Loka-pâlas, "Sustentadores ou Guardiães

do Mundo" (em nosso Cosmos visível), cujos chefes são Indra (Oriente), Yama (Sul),

Varuna (Oeste) e Kuvera (Norte); os seus elefantes e as suas esposas pertencem,

naturalmente, à fantasia e as idéias ulteriores, embora tenham todos uma

significação oculta.

Os Lipika, de que demos uma descrição no sexto parágrafo do

Comentário à Estância IV, são os Espíritos do Universo; ao passo que os

Construtores são apenas as nossas próprias divindades planetárias.

Os primeiros

pertencem à parte mais oculta da cosmogênese, sobre a qual nada podemos dizer

aqui.

A autora não se acha habilitada a esclarecer se os Adeptos — inclusive os de

mais elevada categoria — conhecem esta ordem angélica em seus três graus

completos, ou somente o grau inferior que se relaciona com os anais do nosso

mundo; inclina-se, porém, a aceitar esta última hipótese.

A respeito do grau mais

elevado, sabe-se apenas uma coisa: os Lipika estão associados ao Carma, do qual

Cyclopcedia), e facilmente se compreenderá quão pouca é a confiança que pode inspirar a versão inglesa da Bíblia.

Nesta obra seguimos geralmente a versão católica romana de Douay.

são os Registradores diretos.

Na antigüidade, o símbolo universal do Conhecimento

Sagrado e Secreto era uma Árvore, entendendo-se ainda como tal uma Escritura ou

um Registro.

Daí advém a palavra Lipika, que significa Escritores ou Escribas; os

Dragões, símbolos da Sabedoria, que guardam as Árvores do conhecimento; o

Pomo "áureo" das Hespérides; as "Árvores Frondosas" e a vegetação do Monte

Meru, guardadas por Serpentes.

Juno dando a Júpiter, no dia do seu casamento,

uma Árvore com um fruto de ouro, é outra forma de Eva oferecendo a Adão a maçã

da Árvore do Conhecimento.

6. Os Lipika circunscrevem o Triângulo, o Primeiro Um343, o Cubo, o

Segundo Um e o Pentágono dentro do Ovo (a)344. É o Anel chamado "Não

Pássaras", para os que descem e sobem345, para os que, durante o Kalpa,

estão marchando para o Grande Dia "Sê Conosco" (b)...               Assim foram

formados os Arûpa e os Rûpa346: da Luz Única, Sete Luzes; de cada uma das

Sete, sete vezes Sete Luzes.

As Rodas velam pelo Anel...

A Estância prossegue com uma descrição minuciosa das Ordens da

Hierarquia Angélica.

Do Grupo de Quatro e Sete emanam os Grupos de Dez

nascidos da Mente; os de Doze, de Vinte e Um etc.

— todos, por sua vez, divididos

em subgrupos de Héptades, Enéades e Dodécades347, e assim por diante, até

perder-se o espírito nesta enumeração interminável de Exércitos e Seres celestiais,

cada um com uma função peculiar no governo do Cosmos visível, durante a

existência deste.

A linha vertical ou o número 1.     O Círculo.

Como também para os que etc.

O Mundo Sem Forma e o Mundo das Formas.

Grupos de Sete, de Nove e de Doze.

(a) A significação esotérica da primeira frase do Sloka é que os chamados

Lipika, os Registradores do Grande Livro Cármico, constituem uma barreira

intransponível entre o Ego pessoal e o Eu impessoal, que é o Número e a Raiz-

Mater do primeiro.

Essa a razão da alegoria.

Eles circunscrevem o mundo

manifestado da matéria, dentro do Anel "Não Pássaras". Este mundo é o símbolo

objetivo do Um dividido nos Muitos, nos planos da Ilusão, de Adi (o "Primeiro") ou de

Eka (o "Um"); e este Um é o agregado coletivo, a totalidade dos principais criadores

ou arquitetos do nosso Universo visível.

No Ocultismo hebreu, o seu nome é Echath,

feminino, "Um", e ao mesmo tempo Echad, também "Um", porém masculino.

Os

monoteístas serviram-se, e ainda se servem, do profundo esoterismo da Cabala

para aplicar o nome de Sephiroth-Elohim, pelo qual é conhecida a Essência Una e

Suprema, à manifestação desta, chamando-a Jehovah.

Mas isto é de todo arbitrário

e briga inteiramente com a razão e a lógica, porque a palavra Elohim está no plural e

é idêntica ao nome plural Chiim, combinado freqüentemente com ela.

A frase que se

lê no Sepher Yetzirah, e também encontrada alhures, "Achath-Ruach-Elohim--

Chiim", denota, quando muito, que os Elohim são andróginos, com a quase

predominância do elemento feminino, traduzindo-se: "O UM é Ela, o Espírito dos

Elohim da Vida". Como foi dito antes, Achath (ou Echath) é feminino, e Achad (ou

Echad) é masculino, ambos significando Um.

Demais, em metafísica oculta existem, a bem dizer, dois "Um": o Um no

plano inacessível do Absoluto e do Infinito, sobre o qual não é possível nenhuma

especulação, e o segundo "Um" no plano das Emanações.

O primeiro não produz

emanação nem pode ser dividido, pois é eterno, absoluto e imutável; mas o

segundo, sendo, por assim dizer, o reflexo do primeiro Um (pois é o Logos, ou

Ishvara, no Universo de Ilusão), pode fazê-lo. Emite de si mesmo os Sete Raios ou

Dhyân Chohans (do mesmo modo que a Tríade Sephirothal superior produz os Sete

Sephiroth inferiores); em outras palavras, o Homogêneo se converte no

Heterogêneo, o Protilo se diferencia nos Elementos.

Mas estes últimos, a menos que

retornem ao elemento primário, jamais podem passar além do Laya ou ponto zero.

Não é possível descrever melhor este aspecto metafísico do que o fez o

Sr. T. Subba Row em suas conferências sobre o Bhagavad Gîtâ.

"Mâlaprakriti (o véu de Parabrahman) atua como

energia una através do Logos (ou Ishvara). Pois bem:

Parabrahman... é a essência única, da qual emana um centro

de energia, a que darei por enquanto o nome de Logos... É

chamado o Verbo... pelos cristãos, e é o Christos divino que

está eternamente no seio do Pai.

Os budistas o chamam

Avalokiteshvara... Em quase todas as doutrinas se formulou a

existência de um centro de energia espiritual, inato e eterno,

que existe no seio de Parabrahman durante o Pralaya, que

surge como centro de energia consciente por ocasião da

atividade cósmica348... "

Porque, como disse o conferencista inicialmente, Parabrahman não é isto

nem aquilo; nem sequer é a consciência, pois não pode ser relacionado com a

matéria, nem com o que quer que seja de condicionado.

Não é nem o Eu nem o

The Theosophist, fevereiro de 1877, pág.

303.

Não-Eu; nem mesmo Âtmâ, mas em verdade a fonte única de todas as

manifestações e modos de existência.

Assim, na alegoria, os Lipika separam o mundo (ou plano) do Espírito

puro do mundo da Matéria.

Os que "descem e sobem" (as Mônadas que encarnam e

os homens que aspiram à purificação, "que sobem", mas que ainda não alcançaram

a meta) só poderão transpor o Círculo "Não Pássaras" quando chegar o Dia "Sê

Conosco": aquele dia em que o homem, libertando-se por si mesmo dos laços da

ignorância, e reconhecendo plenamente a não separatividade do Ego que está

dentro de sua Personalidade (erroneamente considerada como ele próprio), em

relação ao Eu Universal (Anima Supra-Mundi), imerge na Essência Una para tornar-

se não somente um "Conosco", as Vidas universais manifestadas, que são uma

Vida, mas esta mesma Vida.

Vê-se aqui novamente que, astronomicamente, o Anel "Não Pássaras",

traçado pelos Lipika em torno do "Triângulo, do Primeiro Um, do Cubo, do Segundo

Um e do Pentágono", circunscrevendo estas figuras, contém os símbolos de 31415,

ou seja, o coeficiente usado constantemente em matemática para exprimir o valor de

π (pi), substituídos os algarismos pelas figuras geométricas.

Segundo os

ensinamentos filosóficos em geral, esse Anel se acha muito além daquela região

correspondente ao que em astronomia se chama nebulosas.

Mas semelhante

conceito é tão errôneo quanto o da topografia e das descrições contidas nos

Purânas e em outras escrituras exotéricas a respeito de 1.008 mundos dos

firmamentos e mundos Devaloka.

Há, sem dúvida, tanto pelos ensinamentos

esotéricos como pelos profanos e científicos, mundos a distâncias de tal modo

incalculáveis que a luz do mais próximo, chegando neste momento até os nossos

modernos "caldeus", pode haver partido de sua fonte muito tempo antes do dia em

que se pronunciaram as palavras: "Que a Luz se faça"; mas aqueles mundos não

pertencem ao Devaloka, e sim ao nosso Cosmos.

O químico vai até o ponto zero ou "laya" do plano material que está ao

seu alcance, e aí se detém.

O físico e o astrônomo fazem cálculos até bilhões de

léguas além das nebulosas, mas também se detêm.

Já o Ocultista semi-iniciado

imaginará esse ponto "laya" como situado em algum ponto que, se não é físico, é no

entanto concebível pelo intelecto humano.

Mas o Iniciado perfeito sabe que o Anel

"Não Pássaras" não é uma região, não pode ser medido em termos de distância,

senão que existe no Absoluto e no Infinito.

Neste "Infinito" do perfeito Iniciado não há

altura, nem largura, nem espessura; tudo é profundidade insondável, no sentido do

físico ao parametafísico.

Usando a palavra "profundidade", queremos significar

abismo essencial: "em nenhuma parte e em toda a parte"; e não a profundidade da

matéria física.

Se se proceder a uma análise cuidadosa das alegorias exotéricas e

grosseiramente antropomórficas das religiões populares, poder-se-á nelas perceber

ainda a noção do Círculo "Não Pássaras", guardado pelos Lipika.

Encontrar-se-á até

nos ensinamentos da seita vedantina Visishthadvaíta, a mais antropomórfica de toda

a Índia.

Ver-se-á aí que a alma libertada, depois de ter alcançado o Moksha, estado

de bem-aventurança que significa "liberação de Bandha" ou da escravidão, desfruta

a felicidade em uma região denominada Paramapada, que não é material, mas está

constituída por Suddasliattav, a essência de que é formado o corpo de Ishvara, o

"Senhor". Ali, os Muktas ou Jivâtmâs (Mônadas) que alcançaram o Moksha não mais

estarão submetidos às contingências da matéria nem do Carma.

"Se, porém, o

desejarem, com o objetivo de fazer bem ao mundo, poderão encarnar-se na

Terra349." O caminho que conduz a Paramapada, ou aos mundos imateriais, chama-

se Devayâna.

Quando o homem alcançou o Moksha, e o seu corpo morreu,

"o Jiva (a Alma) vai como Sûkshma-Sharira350 do

coração do corpo ao Brahmarandra na coroa da cabeça,

atravessando Sushumnâ, nervo que liga o coração a

Brahmarandra.

Então Jiva passa através do Brahmarandra e

vai à região do Sol (Sûryamandala) por intermédio dos raios

solares.

Depois, entra por uma mancha negra do Sol em

Paramapada... O Jiva é guiado em seu caminho... pela

Sabedoria Suprema adquirida mediante o Ioga351. O Jiva

prossegue assim até o Paramapada com o auxílio dos

Adhivâhikas (portadores durante o trânsito), conhecidos pelos

nomes de Archi, Ahas... Aditya... Prajâpatis etc.

Os Archis etc.,

que aqui se mencionam, são certas almas puras etc.

etc352."

Nenhum espírito, com exceção dos "Registradores" (Lipika), transpôs

jamais a linha proibida daquele Anel, e nenhum a transporá até o dia do próximo

Pralaya, porque é a fronteira que separa o finito (por infinito que pareça aos olhos do

homem) do que é verdadeiramente Infinito.

Os Espíritos, a que se alude como

Estas encarnações voluntárias recebem em nossa doutrina o nome de Nirmânakâyas, os princípios espirituais que sobrevivem nos homens.

Sûkshma Sharira, corpo ilusório, "corpo de sonho", de que são revestidos os Dhyânis inferiores da Hierarquia celeste.

Compare-se este princípio esotérico com a doutrina gnóstica de Pistis Sophia (Conhecimento- Sabedoria), em que se apresenta Sophia (Achamôth) como perdida nas águas do Caos (Matéria) quando se encaminha para a Luz Suprema, e Christos libertando-a e ajudando-a a reencontrar a Senda.

Considere-se que entre os Gnósticos "Christos" significava o Princípio Impessoal, o Âtman do Universo e o Âtmâ dentro da alma de cada homem, e não Jesus; se bem que no velho manuscrito copto do Museu Britânico a palavra "Christos" se acha substituída por "Jesus" e por outros termos.

Catechism of the Visishthadvaíta Philosophy, por N. Bhâshyacharya, M. T. S., Pandit da Biblioteca de Adyar, págs.

50-51 (1890).

aqueles que "descem e sobem", são, portanto, os "Exércitos" dos Seres Celestes,

assim chamados em termos genéricos.

Mas, na realidade, não são nada disto.

São

Entidades pertencentes a mundos mais elevados na. Hierarquia do Ser, e tão

incomensuravelmente elevados que para nós se afiguram Deuses e, tomados

coletivamente, Deus.

E nós, homens mortais, devemos assim parecer-lhes como

formigas, que raciocinam pela escala de sua capacidade peculiar.

Também é

possível que a formiga enxergue o dedo vingador de um Deus pessoal na pata do

garoto que, em dado momento e sob o impulso de fazer dano, lhe destrói o

formigueiro, o trabalho de muitas semanas (que talvez correspondam a anos na

cronologia dos insetos). A formiga, sentindo intensamente a imerecida calamidade,

também pode, como o homem, atribuí-la a uma combinação da Providência e do

pecado, e ver nela talvez a conseqüência do pecado de seus primeiros pais.

Quem o

sabe, quem o pode afirmar ou negar? A negativa em admitir que em todo o Sistema

Solar possam existir outros seres humanos racionais e inteligentes, além de nós

mesmos, constitui a maior das presunções de nossa época.

Tudo o que a Ciência

tem o direito de afirmar é que não existem inteligências invisíveis que vivam em

condições iguais às nossas.

Não pode negar, em termos categóricos, a possibilidade

de que existam outros mundos dentro do Orbe, sob condições inteiramente diversas

das que constituem a natureza do nosso; não pode negar também a viabilidade de

uma comunicação, ainda que limitada, entre alguns desses mundos e o nosso.

O

maior dos filósofos europeus, Emmanuel Kant, afirma que tal comunicação não é de

modo algum improvável.

"Confesso" — diz ele — "que me sinto fortemente

inclinado a afirmar a existência de naturezas imateriais neste

mundo, e a colocar minha própria alma na categoria destes

seres.

Um dia, não sei quando nem como, há de provar-se que

a alma humana, mesmo nesta vida, está indissoluvelmente

ligada a todas as naturezas imateriais do mundo espiritual, e

que atua sobre elas e delas recebe impressões353."

Segundo os ensinamentos, ao mais elevado desses mundos pertencem

as sete Ordens de Espíritos puramente divinos; aos seis inferiores correspondem as

hierarquias que podem, em certas circunstâncias, ser vistas e ouvidas pelos homens

e comunicar-se com os seus descendentes na Terra; gerações estas que se acham

ligadas a elas de modo indissolúvel, pois cada princípio no homem tem sua origem

direta na natureza desses grandes Seres, que nos proporcionam, cada qual na sua

esfera, os nossos elementos invisíveis.

A Ciência física pode especular sobre o mecanismo fisiológico dos seres

vivos, e prosseguir em seus vãos esforços para explicar os nossos sentimentos, as

nossas sensações mentais e espirituais, supondo-as funções de seus veículos

orgânicos.

Mas tudo o que era possível ser alcançado neste sentido, já o foi; e a

Ciência não irá mais longe.

Encontra-se em um beco sem saída, diante de um muro

em que imagina inscrever grandes descobertas fisiológicas e psíquicas, quando

estas últimas, como se verá depois, não passam de teias de aranha, urdidas pela

fantasia e ilusão científicas.

Os tecidos de nossa estrutura objetiva são os únicos

que se prestam à análise e às investigações da ciência fisiológica.

Os nossos Seis

Princípios Superiores permanecerão sempre inacessíveis à mão guiada por um

espírito hostil que ignora e despreza, de caso pensado, as Ciências Ocultas.

Tudo o

Traume eines Geistershers, citado por C. C. Massey no seu prefácio ao Spititismus de Von Hartmann.

que a moderna pesquisa da fisiologia tem mostrado e podia mostrar, no que se

refere aos problemas psicológicos, atenta a natureza das coisas, é que todos os

pensamentos, sensações e emoções são acompanhados por uma coordenação

especial das moléculas de certos nervos.

A conclusão tirada por cientistas do tipo de

Buchner, Vogt e outros, de que o pensamento é uma vibração molecular, exige que

se faça completa abstração da realidade de nossa consciência subjetiva.

(b) O Grande Dia "Sê Conosco" é, portanto, uma expressão cujo mérito

único assenta em sua tradução literal.

O seu significado não se revela tão facilmente

ao público, que desconhece os princípios místicos do Ocultismo, ou melhor, da

Sabedoria Esotérica ou "Budhismo" (com um só d). É uma expressão peculiar deste

último, mas tão obscura para os profanos como a dos egípcios, para quem o mesmo

Dia era denominado "Vem a Nós", frase idêntica à primeira, se bem que, neste

sentido, a palavra "Sê" possa ser perfeitamente substituída por "Fica" ou "Repousa

Conosco", uma vez que se refere àquele largo período de repouso chamado

Paranirvana.

"O Dia 'Vem a Nós!' é o dia em que Osíris disse ao Sol: Vem! Eu o vejo

reencontrando o Sol no Amenti354" O Sol aqui representa o Logos (ou Christos,

Horus), como Essência Central, sinteticamente, e como essência difusa de

Entidades irradiadas — diferentes em substância, não em essência.

Conforme disse

o autor das conferências sobre o Bhagavad Gîtâ, "não se deve supor que o Logos

seja um centro único de energia manifestada por Parabrahman”. Existem outros, e o

seu número é quase infinito no seio de Parabrahman.

Daí as expressões "O Dia do

Vem a Nós", "O Dia do Sê Conosco" etc.

Assim como o Quadrado é o Símbolo das

Quatro Forças ou Poderes sagrados — o Tetraktys, do mesmo modo o Círculo

Le Livre des Morts, Paul Pierret, capítulo XVII, pág.

61.

mostra o limite no seio do Infinito, que nenhum homem pode transpor, nem mesmo

em espírito, como também nenhum Deva ou Dhyân Chohan.

Os Espíritos dos que

"descem e sobem", durante o curso da evolução cíclica, só cruzarão o mundo

"rodeado de ferro" no dia em que se acercarem do limiar de Paranirvana.

Se o

alcançarem, repousarão no seio de Parabrahman ou nas "Trevas Desconhecidas",

que para todos eles se tornarão em Luz, durante todo o período do Mahâpralaya, a

"Grande Noite", ou seja, durante os 311.040.000.000.000 anos de absorção em

Brahman.

O Dia do "Sê Conosco" é este período de Repouso, ou Paranirvana.

Corresponde ao Dia do Juízo Final, que, infelizmente, tão materializado foi na

religião dos cristãos355.

Na versão exotérica dos ritos egípcios, a alma de todo defunto —

incluindo desde o Hierofante até o boi sagrado Ápis — se convertia em Osíris ou era

"osirificada" (ensinando a Doutrina Secreta, no entanto, que a verdadeira

"osirificação", destino de todas as Mônadas, somente se dava no fim de 3.000 ciclos

de Existência). Assim também sucede no caso presente.

A Mônada, nascida da

natureza e da essência mesma dos "Sete" (e cujo Princípio mais elevado permanece

no Sétimo Elemento Cósmico), deve cumprir sua revolução setenária através dos

Ciclos da Existência e das Formas, desde a mais elevada até a mais ínfima; e,

depois, do homem a Deus.

No umbral do Paranirvana, retoma sua Essência primitiva

e volta a ser o Absoluto.